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Editoriais
Sexta-feira, 26 de Junho de 2015, 19h:45

Criador e criatura

Menos de 10 dias depois de o PT realizar seu congresso nacional em que frustrou os que queriam mudanças radicais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem duras críticas ao partido que ajudou a fundar há 35 anos e levou ao poder nacional. Lula disse que o PT está velho, viciado em poder, apegado a cargos, perdeu sua capacidade de gerar sonhos e utopias, não mobiliza mais as multidões, a não ser em troca de dinheiro, e se afastou perigosamente da juventude. Ele aventou a necessidade de uma “revolução” no partido. A crítica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Partido dos Trabalhadores foi, no mínimo, desconcertante: “A gente só pensa em cargo, só pensa em emprego, só pensa em ser eleito, ninguém trabalha mais de graça”, disse Lula. Em complemento, o homem que saiu do poder como presidente mais popular da história do país, chicoteou-se a si próprio: “Eu, que sou uma figura proeminente do PT, tenho 69 anos, estou cansado. Estou falando as mesmas coisas que falava em 1980”. O desabafo de Lula foi feito na última segunda-feira, no seminário “Novos desafios da democracia”, promovido pelo seu próprio instituto, que acaba de entrar na alça de mira da Operação Lava Jato por suas relações com empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras. Mais: o ex-presidente fez esse ato de contrição partidário e pessoal no momento em que o governo da presidente Dilma Rousseff enfrenta sérias dificuldades, com a economia estagnada, problemas na base parlamentar e popularidade em queda. O próprio Lula, avaliado pelo Instituto Datafolha como provável candidato à reeleição, aparece abaixo do candidato oposicionista Aécio Neves. O momento ruim do governo tem a ver com a Operação Lava Jato, mas deve-se muito mais aos estragos na economia, causados pela política equivocada de gastos desmesurados para financiar um projeto de poder. É esse projeto que o próprio Lula está questionando agora, numa tentativa quase desesperada para recuperar a própria imagem e a do partido que ajudou a fundar com a bandeira da ética, da integridade e da igualdade. Neste momento de perplexidade e contradições, ganha atualidade uma sentença do ex-deputado Ulysses Guimarães: não é o poder que corrompe o homem – o homem é que corrompe o poder. O momento ruim do governo tem a ver com a Operação Lava Jato, mas deve-se muito mais aos estragos na economia

Edição EDIÇÃO 16965




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