Editoriais
Quarta-feira, 03 de Julho de 2013, 21h:35
A
A
Controle total
A verdadeira sabedoria é a coletiva. Na individualidade o cidadão acerta, mas o melhor entendimento é aquele que nasce do posicionamento extraído do debate entre muitos, preferencialmente de milhares e mais ainda de milhões de cidadãos. Manifestações em vários pontos do Brasil pedem redução salarial de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais e da cadeia política como um todo. Ontem, em Rondonópolis, milhares saíram às ruas protestando contra o salário do prefeito Percival Muniz, do vice-prefeito Rogério Salles e dos vereadores. Candidatos, partidos e coligações gastam verdadeiras fortunas em busca de mandatos, que embora bem remunerados não cobrem os gastos de campanha. O poderio econômico é arma para facilitar eleição e, como se sabe, ninguém em sã consciência joga dinheiro pela janela ou o rasga. Se a despesa para se eleger supera o montante dos salários para o exercício do mandato, algo atípico se esconde por trás dessa prática. É de domínio público que a quase totalidade dos detentores de mandatos eletivos e ocupantes de altos cargos comissionados aumentam seu patrimônio no período em que militam na vida pública. Mesmo com altos salários alguns jamais poderiam comprovar o enriquecimento, ainda mais quando se sabe que via de regra essas figuras têm dedicação exclusiva à atividade administrativa ou parlamentar. O Brasil tem muitas instituições para o controle externo da movimentação financeira e a evolução patrimonial dos políticos. Receita Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado, Controladoria-Geral da União (CGU), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), Banco Central, Polícia Federal e Delegacia Fazendária Estadual, em suas esferas de competência monitoram os recursos públicos e as autoridades ordenadoras de despesas. Porém, esse emaranhado de instituições não consegue impedir a corrupção ou reduzi-las a índices ditos suportáveis se é que tal existe. Ao pedir a redução salarial o grito das ruas vai além do protesto contra a elevada remuneração que é regra comum entre os poderes em todas as suas esferas. Essas vozes chamam a atenção pra uma anomalia que remonta a tempos quase imemoriais, que é o gasto de campanha eleitoral. O Brasil precisa botar em prática os ensinamentos da sabedoria coletiva e aperfeiçoá-los. Em respeito ao povo que recebe baixos salários e não tem os benefícios tão generosos com a classe política, é imprescindível derrubar os altos salários a começar pelos vereadores. O aperfeiçoamento começa pelo controle da movimentação financeira e a evolução patrimonial em tempo real de todos os detentores de mandatos, membros dos poderes, servidores graduados e empresas que vendem ou prestam serviço ao poder público. Quem entra na vida pública é para servir e não para se servir, o que justifica salário menor e mais justo. Quem gerencia bem público tem que prestar conta de seus atos, sem que isso possa ser visto como constrangedor. O Brasil precisa botar em prática os ensinamentos da sabedoria coletiva e aperfeiçoá-los