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Editoriais
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015, 20h:07

Brasília parada

A prisão do senador Delcídio Amaral e o dilema político vivido pelo Senado para chancelar a decisão do STF não podem servir de motivo para a paralisação dos trabalhos legislativos no momento em que o país depende do ajuste fiscal para sair da crise. O desafio do governo e das lideranças parlamentares é retornar o mais rapidamente possível à normalidade, deixando o episódio criminal para a Justiça, para o Ministério Público e para a Polícia Federal. O Brasil não pode continuar pagando o preço da crise política com o agravamento da crise econômica, vez que esta decorre em parte daquela. O momento é de compreensível pânico no Congresso, especialmente entre os investigados pela Operação Lava Jato. Na lista inicialmente divulgada pelo Ministério Público Federal, há 13 senadores e 24 deputados, incluídos os dois presidentes das casas legislativas. Mas a maioria dos parlamentares continua com legitimidade para apreciar matérias que exigem imediata definição. A principal delas é a aprovação da meta fiscal de 2015, que autoriza União, Estados e municípios a fecharem o ano com um deficit de R$ 119 bilhões. O projeto, que precisa ser aprovado em sessão conjunta, deveria ter sido votado na última quarta-feira, quando estourou o escândalo em torno do senador Delcídio Amaral. Também o governo teme que o Congresso traumatizado acabe recolocando na ordem do dia a pauta do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Só que não se trata de salvar o governo ou o mandato dos parlamentares ameaçados pela Lava Jato. Trata-se, isto sim, de salvar o país, de superar uma crise econômica que exaure as forças do setor produtivo e causa desemprego crescente. É por isso que deputados e senadores têm que superar a perplexidade e unir esforços no sentido de levar adiante o ajuste fiscal, destravando o Legislativo e proporcionando condições para que a nação supere esse episódio turbulento de sua história. Se atuando com agilidade, já será difícil deixar a crise para trás, imagine a se perdurar o imobilismo. O desafio do governo e das lideranças parlamentares é retornar o mais rapidamente possível à normalidade

Edição EDIÇÃO 16966




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