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Sexta-feira, 12 de Março de 2010, 21h:05

Aviação regional

Meio mais rápido e seguro de transporte, a aviação comercial ainda permanece fora das grandes discussões nacionais. Até recentemente Mato Grosso não era exceção e inconsciente ou conscientemente não abordava a vertente aérea para a movimentação de passageiros, cargas, documentos e despachos. O descaso com a aviação comercial sempre marcou a relação do Estado brasileiro com o setor de transporte. Importantes companhias aéreas faliram por falta de política pública e até mesmo por imposições das autoridades aeronáuticas. A Paraense não resistiu ao cerco do governo, que a obrigava a desviar voos para socorrer vítimas de malária ou de ataques indígenas na Amazônia, sem que recebesse para tanto. A Panair, empresa aérea que simbolizava o moderno meio de transporte brasileiro, não decola nem pousa mais. A Varig, Sadia, Real, Vasp, Cruzeiro do Sul, Transbrasil e outras incluindo empresas regionais que operavam em Mato Grosso, foram sufocadas. Enquanto as empresas aéreas quebravam a gigante estatal Embraer, em São José dos Campos (SP), assumia lugar de destaque entre fabricantes mundiais de aviões civis e militares. O governo se preocupou muito com o mercado internacional de aeronaves, mas esqueceu-se do mais importante: voar regionalmente no Brasil. Recursos públicos para entre aspas salvar bancos ameaçados de falência nunca faltaram. O governo optou por fortalecer o capital privado com capital público em detrimento da aviação comercial. Mato Grosso, com dimensão continental, tem poucos aeroportos homologados, menos ainda com pista pavimentada e pouquíssimos que operam voos noturnos. Inconcebível que uma cidade da importância de Sorriso – sede do maior município agrícola do planeta – não tenha sequer uma pista de terra para se interligar ao mundo da aviação. Recentemente o governador Blairo Maggi determinou a desoneração do ICMS do combustível para a aviação regional que opera em Mato Grosso. Esse ato deu alento ao setor despertando tanto o interesse do empresariado quando de outros estados. A opção de Maggi pela renúncia do ICMS do combustível de aviação reduz o preço operacional das companhias, estimulando-as na opção por rotas mato-grossenses e permitindo a prática de tarifas menores, o que faz dessa política tributária benéfica para todos os elos de sua cadeia. Ontem, em Porto Velho, no “7º Fórum dos Governadores da Amazônia Legal”, Maggi defendeu tratamento diferenciado para a aviação em sua região e também para aeroportos destacando que um pequeno aeroporto regional não pode ser tributado tanto quanto um grande destinado a voos internacionais. O posicionamento do governador de Mato Grosso teve a melhor receptividade entre seus pares. Resta agora transformar essa tese em ato prático. O descaso com a aviação sempre marcou a relação do Estado brasileiro com o setor de transporte

Edição EDIÇÃO 16962




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