A atriz Rosi Campos, 72, entrou na lista de suspeitos preferidos do público em "Quem Ama Cuida", atual novela das nove da Globo. Intérprete da governanta Diná, declaradamente apaixonada pelo patrão Arthur Brandão (Antonio Fagundes), ela admite que gostaria de ver a personagem envolvida diretamente no principal mistério da trama: a morte do empresário.
"Eu adoraria que fosse a Diná a assassina", afirma a atriz em entrevista ao F5. "Tem que ser algo surpreendente. As pessoas têm essa cabeça mais investigativa hoje em dia, e é interessante uma obra começar com essa dinâmica de impacto logo de cara", avalia.
A indefinição sobre o autor do crime, segundo ela, ainda faz parte do próprio processo de construção da novela. "Nós ainda não sabemos quem será o responsável. Vão escolher e definir quem matou Arthur conforme o desenrolar da novela, com aquilo que for mais interessante para a história", aponta.
Na trama escrita por Walcyr Carrasco, Diná é uma mulher marcada por um amor antigo. O ressentimento pela relação entre Arthur e Adriana (Leticia Colin) a coloca constantemente sob suspeita, sobretudo diante de seus acessos de raiva e comportamento imprevisível.
Para Rosi, a personagem é movida por uma mistura explosiva de sentimentos. "Ela age por um amor que não foi correspondido. Existe tristeza, ódio, raiva. São muitos sentimentos escondidos que ela não soube trabalhar", analisa.
Fora das telas, a atriz diz não se identificar com os impulsos extremos da personagem. "Eu nunca agi dessa maneira por amor. Essas questões amorosas são complicadas. O importante é não ter ciúme. A pessoa está com você porque quer estar", reflete.
O papel marca também um retorno da atriz a personagens mais densos na Globo após anos dedicados a produções voltadas ao público infantojuvenil. Veterana da televisão, ela afirma que sentia falta desse tipo de trabalho.
"Foram 25 anos seguidos fazendo muitos papéis na dramaturgia, e eu gosto muito de fazer novela. O Walcyr Carrasco e a diretora Amora Mautner têm uma assinatura interessante, quase cinematográfica."
A parceria com Walcyr, aliás, é antiga. Rosi conta que conheceu o autor ainda nos tempos da faculdade de jornalismo, quando ambos frequentavam a Escola de Comunicações e Artes da USP. Apesar de não serem da mesma sala, eles se encontravam nos intervalos.
Outro reencontro importante nos bastidores tem sido com Antonio Fagundes e com Tony Ramos, intérprete do ranzinza Otoniel. Segundo a atriz, ter a companhia de ambos é uma aula de coleguismo e também de comédia.
"O Tony faz piada o tempo inteiro", diverte-se. "O Fagundes é uma pessoa incrível, um grande ator. Conversamos muito sobre teatro, televisão e as histórias que ele viveu."
Rosi diz manter o desejo de explorar novos caminhos artísticos. "Sempre fiz o que quis e tive sorte de ser convidada por pessoas muito legais. Gosto muito de comédia, de fazer as pessoas rirem, mas também gosto de interpretar vilãs".




