Editoriais
Quinta-feira, 03 de Novembro de 2011, 19h:34
A
A
Avanço discreto
O Brasil subiu uma posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado ontem pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O país ocupa agora o 84º lugar entre todo o universo analisado e o 20º na América Latina, situando-se entre os de Alto Desenvolvimento Humano, com um índice de 0,718. Apesar do avanço discreto em relação ao número 1, registrado por economias avançadas, o estudo traz motivos para preocupações, e não só pelo fato de o país ainda se colocar próximo a outros de estágio de desenvolvimento à primeira vista bem inferior. Um dos alertas que devem ser levados em conta é a particularidade de o ritmo de evolução ter caído. Isso significa que, a partir de agora, qualquer ganho passa a exigir investimentos bem mais elaborados, com metas definidas a médio e longo prazos. No estudo divulgado agora, fica evidente que a pequena elevação no desenvolvimento humano brasileiro ocorreu basicamente devido a conquistas na área de saúde pública. Um resultado visível nesta área é o fato de a expectativa de vida ter subido de 72,9 para 73,5 anos. No âmbito da educação, apesar das conquistas aparentes, o número médio de anos de estudo do brasileiro ficou estacionado em 7,2 anos. É o mesmo nível do Zimbábue, país que em 2010 ocupou o último lugar em desenvolvimento humano, e bem inferior ao de 12,6 anos da Noruega, por exemplo. O ranking das Nações Unidas indica a necessidade de mais atenção aos investimentos públicos, com ênfase na educação, em saúde e nas precondições para a elevação da renda dos brasileiros. Um país com pretensões de se tornar avançado não pode se conformar com um período médio tão curto de permanência em sala de aula. Precisa, por isso, garantir ensino de qualidade e capacidade constante de renovação para se adequar às expectativas do perfil dos alunos, mantendo-os na escola. Ao mesmo tempo, deve apostar mais em políticas adequadas de saúde pública, o que inclui investimentos continuados em prevenção e maior oferta de consultas com especialistas e de leitos hospitalares. Nessa área, é fundamental o cuidado permanente com melhorias no âmbito de saneamento, incluindo maior atenção a aspectos como a água, o lixo e o recolhimento de esgoto, entre outros. O próprio levantamento alerta para o fato de que as ameaças ambientais podem comprometer avanços do desenvolvimento humano nos próximos anos, com prejuízos importantes justamente para os países que mais precisam avançar. A advertência vale para o Brasil, que, pelas suas peculiaridades nesse aspecto, deve se manter permanentemente atento à importância de políticas adequadas para garantir sustentabilidade. As ameaças ambientais podem comprometer avanços do desenvolvimento humano