Editoriais
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009, 19h:46
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Apelo ao bom senso
Ao participar da abertura dos trabalhos legislativos da Câmara, no começo deste mês, o prefeito Wilson Santos (PSDB), de uma forma surpreendente até, fez um mea culpa em público. Do Plenário, onde discursou para apresentar a Mensagem do Executivo, como é praxe nessa época, o chefe do Executivo reconheceu que seu maior erro, no primeiro mandato, foi justamente não ter dado a atenção necessária aos vereadores. De fato, ao longo dos últimos quatro anos, notou-se um perigoso distanciamento entre Executivo e Legislativo, o que não prejudicou apenas o entendimento entre o prefeito e os parlamentares, no aspecto político da questão, mas colocou em risco, até mesmo, o relacionamento institucional entre os dois Poderes. Por falta de entrosamento, do necessário e infalível diálogo, a propósito, durante a maior parte do exercício de 2008, Wilson Santos foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que, ao final de uma exaustiva investigação, em parceria com o Ministério Público, expôs uma situação nada recomendável para uma gestão municipal: um completo descalabro no sistema de limpeza pública. É certo que, por mais que haja empenho do Poder Público para cumprir sua responsabilidade, sempre há reclamação por parte da população, sobretudo, aquela que habita os mais distantes bairros da periferia da cidade. Por mais que os gestores se esforcem para revelar transparência nos seus atos, a verdade é que florescem sempre, no meio político e entre alguns setores da sociedade, as suspeitas em torno do lucrativo serviço de coleta e varrição do lixo. Não é novidade que, ao longo das gestões que passaram pelo Palácio Alencastro, o cotidiano de Cuiabá é sempre marcado pelas reclamações, mas, também e principalmente, pelas denúncias de supostas irregularidades na execução dessa tarefa que o Poder Público delega a empresas privadas. A concessão desse tipo de serviço público, lamentavelmente, tem-se constituído numa eterna dor de cabeça para a Prefeitura, que, não tem sido capaz de transferir a responsabilidade para um órgão público. A CPI do Lixo foi concluída e o relatório afinal, além de apontar para um considerável rol de irregularidades no sistema de coleta e de gestão do Aterro Sanitário, recomendou ao prefeito nada menos do que a abertura de licitação para a contratação de uma empresa que, ao contrário da que detém o direito de explorar o sistema de limpeza a Quálix -, seja eficiente e limpe, de fato, a cidade. Esse mesmo tipo de recomendação foi feito pelo Tribunal de Contas, ao analisar as contas de 2007 do prefeito. Na contramão do bom senso, no entanto, a Prefeitura fez ouvidos moucos às recomendações e simplesmente decidiu renovar o contrato emergencial com a Quálix. Pior, sem que fosse dada a necessária transparência ao ato. Afinal, não se deu publicidade nenhuma à medida, exceto por alguns veículos da mídia que divulgaram o fato. Quais as razões de uma providência tão séria com essa ter sido tomada no âmbito dos bastidores da Administração Pública? Lamentavelmente, o Executivo Municipal se expõe em demasia e fornece munição aos opositores. Por conseqüência, o prefeito Wilson Santos, inevitavelmente, vê sua imagem desgastada perante a coletividade, que, com razão, exige explicações. No caso específico da coleta, é bom que se registre que, independentemente do aparato exibido dezenas de caminhões e centenas de garis atuando dia e noite -, há uma reclamação generalizada por parte da população, em especial a que habita a periferia. A Câmara Municipal deveria ser o primeiro canal de entendimento a ser buscado pelo prefeito, a partir do momento em que aventou a possibilidade concretizada na última terça-feira de insistir com os péssimos serviços da Quálix. Uma empresa, aliás, que recebe em dia, mas oferece um péssimo serviço à coletividade. Fará o prefeito um novo mea culpa ou optará por apelar ao bom senso e ir a público explicar as razões de curiosa e suspeita medida? Fará o prefeito um novo mea culpa ou optará por apelar ao bom senso