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Editoriais
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007, 18h:49

A voz do campo

Em Mato Grosso, dificuldades marcaram o ano que se afunila no calendário. Boa parte desses percalços se debita ao conjunto da economia nacional e também aos altos e baixos da conjuntura internacional. Estado essencialmente agrícola, Mato Grosso é afetado pelo câmbio que mantém o dólar num patamar que rouba a lucratividade das commodities. Essa situação deixa o produtor rural numa dualidade: desligar o trator ou manter o cultivo ainda que a custos elevados para produzir e entregar a safra a preço bem abaixo da média histórica. Com o real valorizado e o dólar em baixa, o produtor rural perde lucratividade e não raramente tem prejuízos. O cenário econômico mato-grossense em 2007 levou o agronegócio novamente à mesa de negociação com o governo federal e, ao apagar das luzes, conseguiu alongar parcelas de suas dívidas, mas de maneira tão superficial, que ainda não sabe ao certo o que acontecerá a partir de agora, pois o Ministério da Agricultura ainda não fechou o pacote econômico ao qual se embute esse endividamento. A crise foi palpável em 2007, ano em que não foi possível a realização da Agrishow Cerrado de Rondonópolis - a maior feira de máquinas do Centro-Oeste. O cenário que se vislumbra para o Ano-novo não recomendou que esse evento fosse realizado em 2008 e seus promotores decretaram seu cancelamento. No campo, a crise foi permanente. Some-se a esse quadro o abrupto desabastecimento do gás natural boliviano que acionava a usina termelétrica de Cuiabá. A falta deste combustível impede a geração de 480 MW, e caso haja necessidade de substituí-lo por óleo diesel o custo da produção energética será sete vezes maior. Tomara que Mato Grosso consiga solucionar o impasse da suspensão do fornecimento do gás pelo governo do presidente Evo Morales. Essa questão passa por gestões diplomáticas e pode chegar a bom termo. O grande gargalo continuará sendo a inexistência de política agrícola definida e duradoura para a agricultura; sem ela, cultivar a terra continuará sendo um arriscado jogo, quando deveria ser uma atividade com garantias governamentais por se tratar do pilar da sustentabilidade social, pois sem alimentos não se pode pensar no estado juridicamente estabilizado e socialmente organizado. As lavouras brotam da terra. O ciclo vegetativo está em curso. Resta saber como será o mercado para os grãos e fibras que serão colhidos. O amanhã de Mato Grosso passa pelo resultado da produção, produtividade e comercialização de sua safra agrícola. A voz do campo será ouvida a partir de janeiro, quando as colheitadeiras iniciarem suas jornadas. Só não se sabe o que ele dirá! “Estado essencialmente agrícola, Mato Grosso é afetado pelo câmbio”

Edição EDIÇÃO 16963




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