Editoriais
Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 20h:39
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A guerra dos alimentos
O resultado insuficiente - pífio para alguns - da reunião de cúpula de Roma, onde a FAO (organismo da ONU para a agricultura e a alimentação) reuniu representantes de quase 200 países para debater os caminhos para superar uma inesperada crise mundial de alimentos, amplia os temores, em vez de reduzi-los. No documento final do encontro, a afirmação de que todos têm direito a alimentação e de que a comunidade humana é responsável por uma "ação coordenada e urgente" não passa de um conjunto de generalidades. Todas verdadeiras, mas genéricas demais para o enfrentamento de uma crise que países e organizações multilaterais consideram aguda e inadiável. Muitas palavras e poucas decisões. Interesses discrepantes entre produtores e consumidores, entre a política de alimentos e a política de biocombustíveis, entre países ricos e países pobres, entre liberdade de comércio e protecionismo, entre regiões famintas e regiões que esbanjam, a presença de pesado jogo de especulações financeiras, tudo isso formou o pano de fundo de uma crise cujo resultado imediato foi o aumento do preço e, conseqüentemente, o aumento da fome. A Cúpula sobre Segurança Alimentar, nome dado ao encontro da FAO, não conseguiu encontrar nos três dias de debate um roteiro de ações capazes de alterar o rumo da crise. Os US$ 3 bilhões anunciados para ações emergenciais são necessários, mas eles também fazem parte de um esforço limitado e improdutivo. Da reunião colhe-se, de qualquer maneira, a lição de que há um novo cenário mundial, com novos protagonistas e novos papéis, alguns extremamente valorizados como é o caso dos países produtores de grãos. Depois que os estoques mundiais de alimentos baixaram ao assustador nível de poderem atender à demanda mundial por não mais que 55 dias, o espectro que ronda o planeta é o da carestia. À vista, no horizonte planetário imediato, estão alimentos escassos e caros. A crise alimentar imbrica-se com outras crises igualmente explosivas (a do aquecimento global e a da terceira crise do petróleo), todas elas exigindo um rumo adequado, que os participantes da reunião de Roma não conseguiram definir. A Cúpula sobre Segurança Alimentar não conseguiu encontrar um roteiro de ações capazes de alterar o rumo da crise