ECONOMIA
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008, 21h:07
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EFEITO MORALES
Villegas promete reunião em 15 dias para tratar de MT
O ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, que está no Brasil desde ontem, afirmou que nos próximos 15 dias haverá uma reunião na Bolívia para discutir o contrato de compra e venda de gás natural com a Empresa Produtora de Energia (EPE), que opera a usina térmica de Cuiabá, a Mário Covas. A planta está há cinco meses desativada por falta de gás natural. Em 26 de agosto do ano passado o governo vizinho suspendeu o suprimento a Cuiabá. O anúncio de uma nova rodada de negociações foi feito ontem, durante encontro com o ministro brasileiro de Minas e Energia, Edison Lobão, em Brasília. Conforme explicou o chefe do Escritório de Representação de Mato Grosso, em Brasília, Jeferson Castro, que tem acompanhado de perto a questão do gás, os encontros de ontem serviram de prévia para a reunião tripartite entre Bolívia, Brasil e Argentina, na qual a questão de Mato Grosso deverá ser abordada. Castro explica que a expectativa é que dessa rodada saia uma definição para a térmica. No final da tarde, o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, confirmou para o dia 23, o encontro entre Lula, Cristina Kirchner e Evo Morales, em Buenos Aires, no qual o gás será um dos temas. Entre as alternativas para Mato Grosso, sugeridas durante reunião em dezembro, realizada em La Paz, a solução ao problema poderia vir da redução do volume da Argentina em um determinado período, ou, ainda, a inclusão da termelétrica na lista de clientes da Petrobras, por isso, é importante uma reunião tripartite, reforça Castro. Os dois ministros anunciaram também que não haverá corte no fornecimento de gás da Bolívia para a Petrobras. "Não há nenhuma interrupção de volume. Há um contrato que está vigente há muito tempo e ratificamos plenamente que a Bolívia vai cumprir todos os termos com o Brasil", disse Villegas. Já Lobão, por sua vez, além de assegurar que o contrato será cumprido no que se refere ao volume de gás, frisou que o preço pago pela Petrobras pelo gás boliviano não será elevado. "Todos os itens serão cumpridos. Não haverá redução no fornecimento e também os preços não se alterarão." À tarde, o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, disse que a Bolívia pode garantir o fornecimento de gás ao Brasil dentro da "média histórica" dos últimos anos, algo entre 27 e 29 milhões de metros cúbicos por dia - menos, portanto, do que o máximo previsto no contrato em vigor, de 30 milhões de metros cúbicos. FURNAS Mesmo com o sinal verde dado pelo ministério desde meados de janeiro, a térmica de Cuiabá ainda não está gerando energia por meio do óleo diesel. A planta, que é bicombustível, e aguarda um consenso entre representantes da Pantanal Energia e Furnas, já que o contrato de geração elétrica para Furnas prevê a utilização apenas do gás natural como matriz energética. Assim, quando há necessidade de mudança na forma de geração - do gás para o diesel, por exemplo -, o fato deve ser comunicado a Furnas, a quem cabe a palavra final e a autorização para o funcionamento da térmica. Esta mudança esbarra em questões regulatórias, financeiras e de logística, uma vez que a geração elétrica a partir do diesel demanda o transporte de um grande volume do combustível através de rodovia. (MP)