ECONOMIA
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012, 20h:31
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ETANOL
Usinas em atividade
Desde o início deste mês, a moagem da cana-de-açúcar está sendo realizada por todas as dez unidades de MT
MARIANNA PERES
Da Editoria
As dez usinas mato-grossenses estão em pleno funcionamento. Desde o início deste mês a maior parte das unidades retomou as atividades e segue a missão de moer 14,5 milhões de toneladas de cana-de-acúçar, temporada que - ao contrário do ano passado, quando foi encerrada precocemente em outubro por falta de matéria-prima - deve seguir até os primeiros dias de dezembro. A maior expectativa do mercado consumidor fica por conta dos futuros recuos sobre o preço do etanol hidratado que desde o início do ano reduziu cerca de 21% em Cuiabá e Várzea Grande. O volume a ser moído e transformado em etanol e em açúcar é cerca de 9% superior quando comparado ao que foi colhido na safra passada, 13,15 milhões de t, ciclo marcado pela quebra de produção com o inédito encerramento da safra dois meses antes do calendário. O processo iniciado ainda em abril pelas usinas Itamarati, Cooprodia e Libra foi sintomático no mercado, favorecendo o consumidor. Ainda em abril, o preço do litro do etanol hidratado comercializado nos postos foi sensivelmente passando de R$ 2,29 (teto do ano em Cuiabá e Várzea Grande) até chegar ao preço atual de R$ 1,79, em postos de bandeira branca, aqueles que não têm contrato de exclusividade com nenhuma distribuidora. Do maior para o menor preço registrado nas duas cidades, há queda na bomba de 21,83%. De acordo com o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool) a colheita, apesar dos registros de chuvas nos últimos dias, segue tranquila e ainda não se pode avaliar se as intempéries deste mês poderão afetar a qualidade da cana e o rendimento do produto. Conforme o diretor-executivo do Sindálcool, Jorge dos Santos, a expectativa é produzir a mesma quantidade de etanol do ano passado, 850 milhões de litros e ampliar a produção de açúcar, como forma de recompor estoques. O consumo de etanol caiu no Estado na comparação entre 2011 e 2010, ficou cerca de 20% menor. Por isso, manteremos o volume para reforçar o açúcar que no ano passado somou apenas 390 mil t para um consumo interno (Estado mais vendas interestaduais e internacionais) de 430 mil t. Em função da quebra de produção de cana em 2011 sacrificamos o açúcar e agora todo ganho de 1,4 mil t de uma safra para outra será revertida no produto, que deverá somar 480 mil t. VITÓRIA No início deste mês, em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, o plantio e a industrialização da cana em Mato Grosso e nos estados do Norte brasileiro foram os principais pontos discutidos. Na lei criada em 2009 fica restringido o plantio na bacia do Alto Paraguai, no Pantanal e na região da Amazônia Legal. Conforme o deputado federal Nilson Leitão (PSDB/MT), aproximadamente 83% das áreas de cultivo no Estado podem se tornar irregulares. A audiência serviu para, mais uma vez, provar que não existe embasamento técnico para que a restrição seja mantida. A proibição teve critérios políticos. A própria Embrapa Solo tem parecer contrário em relação á restrição. Ainda segundo Santos, que esteve no evento, ver que o entendimento ecoou foi uma vitória importante ao segmento. Ainda como explica, como próximo passo, há uma mobilização para extinguir uma resolução do Banco Central que proíbe financiamentos para produtores/usineiros que estejam nas áreas consideradas proibidas pela lei de 2009. Será um projeto de decreto legislativo que uma vez aprovado pela Casa será derrubado, explica. MERCADO Pela segunda semana consecutiva, o preço médio do etanol hidratado apurado em Mato Grosso é o segundo mais barato do Brasil, conforme pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que observou o comportamento do mercado entre os dias 13 a 19 deste mês. São Paulo lidera o ranking semanal com preço médio de R$ 1,84, seguido por Mato Grosso, R$ 1,95. O litro mais caro do Brasil está em Roraima, R$ 2,55. Para chegar ao preço médio do Estado, a ANP visita revendas em oito cidades Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Alta Floresta e Santo Antônio e tira uma média de preços. O mais alto registrado foi de R$ 2,40, em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá). Cuiabá exibe o menor valor semanal, média de R$ 1,88.