ECONOMIA
Terça-feira, 01 de Setembro de 2009, 08h:41
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MATO GROSSO
União proibirá cana no Pantanal
O governo federal proibirá o plantio de novas áreas de cana-de-açúcar e vetará projetos de usinas sucroalcooleiras na Bacia do Alto Paraguai, cujos rios são os principais alimentadores do Pantanal. O veto também valerá em outras regiões de proteção legal, como o próprio Pantanal, a Amazônia, e áreas de vegetação nativa do Cerrado. A decisão consta no Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar a ser anunciado no próximo dia 9, em Brasília, e pretende acabar com a pressão de grupos econômicos e políticos que solicitavam a liberação da cana, principalmente em áreas entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul banhadas pelo Rio Paraguai. O diretor do Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, admitiu que "nem sempre uma questão como essa consegue agradar a todos e alguém sempre vai reclamar", mas considerou que "a questão política foi superada, pois todo o trabalho foi feito sob o aspecto técnico", completou. Strapasson revelou ainda que a polêmica sobre a região pantaneira foi resolvida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Essa questão está resolvida, o presidente definiu", explicou. Além de grupos econômicos, Lula sofria a pressão do governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), cujo estado já aprovou uma proposta de zoneamento agroecológico para a cana-de-açúcar mais branda em relação ao cultivo nas bacias do Pantanal, apesar de proibir o plantio e novos projetos dentro do bioma. Em relação à região de Mato Grosso incluída dentro da Amazônia Legal, o governo federal deve liberar novas áreas de cana e usinas, proibindo apenas o cultivo e novos empreendimentos em regiões do estado que estão na bacia Amazônica. "A área do Mato Grosso foi definida a partir de critérios do IBGE, que difere do conceito de Amazônia Legal", disse Strapasson. O diretor do Ministério da Agricultura revelou ainda que o zoneamento, além de proibir o cultivo de cana e novos projetos de usinas em áreas de mata nativa, irá priorizar e incentivar o cultivo de cana-de-açúcar em áreas de pastagem degradadas com baixa declividade, o que favorece a colheita mecanizada e sem queima e em regiões como solos e clima propícios para a lavoura. O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, ratificou que a posição da entidade é contrária a qualquer tipo de plantio e de projetos sucroalcooleiros em áreas de preservação, bem como condenou a relação entre o avanço da cultura e o desmatamento. "A indústria é absolutamente contra e defende o cultivo sustentável", concluiu.