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ECONOMIA
Quinta-feira, 10 de Julho de 2008, 20h:50

ZONA-TAMPÃO

União dá primeiro aceno

Governo federal anunciou que vai intervir na liberação dos rebanhos bovinos do Estado concentrados em áreas não-habilitadas

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Inácio Kroezt, anunciou em Cuiabá, que a chamada “zona-tampão” – área impedida para exportação de carne in natura à União Européia – poderá ter o consumo liberado ainda este ano pelo Mercado Comum Europeu. A liberação inclui as regiões do Pantanal e norte de Mato Grosso, as mais prejudicadas pelo isolamento e detentora de grandes rebanhos. Atualmente, rebanhos localizados no norte, noroeste, Araguaia e Pantanal, têm consumido vetado e cerca de 13 milhões de cabeças impedidas de terem a Europa como destino. Nos dias 29 e 30 de julho, representantes do Ministério da Agricultura, participam de reunião com o órgão regulador mundial OIE (Organização Internacional de Epizootias). Nessa reunião o Mapa entregará documento solicitando o restabelecimento das exportações de carne ao bloco europeu dos estados de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. “A região de Mato Grosso é merecedora de ser livre de aftosa com vacinação e também na oportunidade vamos pleitear tal intenção”, garantiu. Kroezt fez o anúncio na quarta-feira à noite, durante visita à Expoagro, no Parque de Exposição de Cuiabá, em companhia do governador do Estado Blairo Maggi e de lideranças rurais. Atualmente, Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do país com mais de 26 milhões de cabeças. "Estamos trabalhando para que todo Mato Grosso seja habilitado. Vivemos um momento de credibilidade do setor e alta demanda, e o Estado tem feito um trabalho muito bom. Prova disso é que mesmo sendo vizinho de Mato Grosso do Sul, que teve problema com a febre aftosa, e da fronteira com a Bolívia também não registra problemas. Isso é confiança no trabalho desenvolvido", ressaltou Kroezt. Ele destacou também o empenho dos pecuaristas locais no sentido de manter a vacinação regular e garantir a sanidade do rebanho bovino mato-grossense. Kroezt disse acreditar que ainda este ano a comunidade européia estará fazendo uma avaliação favorável em relação à área tampão, que está impedida de exportar por se localizar em áreas de risco à aftosa. Blairo Maggi lembrou que esta é uma oportunidade singular para Mato Grosso ampliar a sua participação no mercado externo ante o reconhecimento internacional do trabalho que vem sendo desenvolvido no Estado. Segundo ele, o reconhecimento do Ministério da Agricultura ao trabalho que vem sendo realizado em Mato Grosso é importante para o processo de liberação do restante dos municípios. Para o presidente da Associação dos criadores de Mato grosso, Mário Candia, "é extremamente positivo para o setor produtivo a possibilidade de reabrir as regiões norte e o Pantanal do Estado. Isso demonstra união dos produtores e que a abertura dessas áreas não traz nenhum risco para a sanidade mato-grossense". O presidente da Federação da Agricultura de Mato Grosso, Rui Prado, ressaltou que "além de desburocratizar, o processo vai agregar valor ao produtor (à arroba comercializada nas áreas norte e no Pantanal), uma vez que pecuaristas dessas áreas estão sofrendo discriminação". VACINAÇÃO - Outra notícia anunciada pelo secretário de Defesa Agropecuária é de que em 2010 não haverá mais vacinação contra febre aftosa, “à exceção das áreas de risco, como na fronteira com a Bolívia e na Amazônia". Kroezt explicou que o produtor vai depositar em um fundo de emergência o dinheiro que usaria para comprar a vacina, "para que ações sejam desenvolvidas em defesa do setor". Lembrou ainda que as áreas a 150 quilômetros da fronteira são de responsabilidade do governo federal e a vacinação será bancada pelo Ministério da Agricultura. Os produtores aplaudiram a notícia e apostam que a medida vai diminuir o custo financeiro do trabalho de combate à aftosa. PESO – No ano passado as perdas entre as cotações para a arroba de área habilitada e não habilitada foram objeto de um estudo que envolveu Acrimat (bovinos), Acrismat (suínos) e Famato (agricultura). No ano passado, a defasagem – momento em que a arroba não estava tão valorizada como agora – foi estimada entre R$ 2 a R$ 3 por arroba para a região não credenciada a exportar carne in natura para o mercado europeu. Somente no norte mato-grossense, a imposição da União Européia (UE), causou um prejuízo anual estimado até o ano passado de R$ 77 milhões. RECONHECIMENTO – Em maio, Mato Grosso e mais dez estados brasileiros recuperaram o status sanitário de livres da febre aftosa com vacinação. A reabilitação foi anunciada pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, após ser comunicado da decisão da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Edição EDIÇÃO 16964




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