A Rússia suspendeu ontem a compra de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul por conta do foco de doença de newcastle registrado em uma propriedade localizada no município de Vale Real. Japão e Argentina também já tinham colocado embargo aos produtos avícolas do Estado. O país vizinho, entretanto, continuará a comprar carne processada. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Rússia e Japão têm um acordo fitossanitário com o Brasil que prevê a suspensão em caso de doença. A suspensão da Rússia atinge toda a produção do Rio Grande do Sul. Já a do Japão vale apenas para um raio de 50 quilômetros de Vale Real, cidade onde foi localizada a doença em maio. Nova Caledônia, uma ilha da Polinésia Francesa, também suspendeu as compras de aves brasileiras. No entanto, de acordo com o ministério, o volume de exportações nesse caso é insignificante. No primeiro semestre, as exportações de carne de frango tiveram queda de 8,18% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram vendidas no mercado externo 1,2 milhão de toneladas, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos (Abef). As receitas com essas vendas somaram nos primeiros meses do ano US$ 1,4 bilhão, uma queda de 4,14%. Mas essa queda no comércio internacional foi provocada principalmente por focos da gripe aviária, encontrados basicamente em países da Europa e África, que alarmaram os consumidores de frango, o que levou a avicultura brasileira a reduzir sua produção de forma a evitar um excesso de oferta, estratégia que continua sendo preconizada no setor. Na última quinta-feira, o ministro Luís Carlos Guedes Pinto (Agricultura) informou que a União Européia não suspenderá a compra de aves brasileiras em razão do foco da doença de newcastle no Rio Grande do Sul. A doença foi registrada no Brasil pela última vez em 2001, em Goiás. No entanto, não há risco de transmissão para seres humanos.