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ECONOMIA
Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007, 19h:49

PORTO DE PARANAGUÁ

Requião culpa supersafra de MT e GO

EVANDRO FADEL
Da Agência Estado
Uma fila de caminhões carregados com soja voltou a se formar nas imediações do Porto de Paranaguá, no Paraná, ontem. O superintendente do porto, Eduardo Requião, disse que a fila se formou porque "operadores portuários, cooperativas e produtores de Mato Grosso e Goiás, como estão diante de supersafra, estão tentando forçar o Porto de Paranaguá a abrir o silão para a soja transgênica". O governo paranaense não permite o armazenamento de soja transgênica no porto público. Segundo o superintendente, o porto adotou medidas logísticas, entre elas a nominação prévia de navios e local para estocagem, a fim de evitar as filas. "Mas eles desobedeceram às ordens de serviço e o regulamento do pátio e da exportação", acentuou. "O porto não aceitará essa pressão". Requião reafirmou que o silo público receberá apenas soja não modificada geneticamente. "Nós vamos manter o silo público, que significa 10% da capacidade de operação do Porto de Paranaguá, para a soja tradicional", ressaltou. Ele disse que poderia, conforme determina a lei, mandar que a polícia retirasse os caminhoneiros que estão há mais de 36 horas no pátio de triagem, que tem capacidade para cerca de mil veículos. "Mas vamos colocar esses caminhoneiros que vieram aqui para descarregar sua soja", afirmou. "A responsabilidade e a responsabilização deve ser em cima de perversos operadores portuários". Mesmo assim, alguns caminhoneiros denunciaram que houve tentativa da polícia de retirá-los do pátio. A secretária do Sindicato dos Operadores Portuários disse que entraria em contato com o presidente para que ele respondesse às acusações, mas não houve novo contato. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Marcel Caixeta, disse que a entidade não aceita que se jogue a culpa sobre os produtores. "É mais um absurdo que acontece no Brasil", afirmou. "O nosso papel é plantar e ajudar o País a crescer, quem exporta são as tradings e as multinacionais." Mas ele criticou a restrição para exportação dos produtos transgênicos. "Se o plantio está permitido no Brasil tem que ser escoado", argumentou. O diretor da Federação da Agricultura de Mato Grosso, Valdir Correa da Silva, também foi enfático. "Por parte do produtor não há nenhum esquema, mesmo porque a primeira soja ele entrega para as tradings como pagamento de dívidas".

Edição EDIÇÃO 16967




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