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ECONOMIA
Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007, 20h:33

DÍVIDAS RURAIS

Refinanciamentos serão liberados no próximo mês

A partir do próximo dia 15, produtores já poderão procurar o Banco do Brasil

ANELIZE MORENO
Da Reportagem
A partir do dia 15 de março, os produtores rurais de Mato Grosso poderão procurar o Banco do Brasil para refinanciar as dívidas contraídas com os fornecedores de insumos nas safras 2004/2005 e 2005/2006. Os recursos para viabilizar as operações somam R$ 2,2 bilhões e terão como origem o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT-Giro Rural). Os últimos detalhes da negociação foram costurados entre produtores e governo, em reunião realizada em Brasília. Segundo levantamento da Agroconsult, as pendências dos agricultores mato-grossenses com a iniciativa privada totalizam R$ 1,36 bilhão. O montante representa 34% dos débitos existentes em todo o país, valor estimado em R$ 6 bilhões. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Rondonópolis, Ricardo Tomczyk, apesar da solicitação dos produtores, o Banco do Brasil não voltou atrás na decisão de exigir uma garantia suplementar de 100% do valor devido, sob a forma de penhora de parte da produção. Segundo Tomczyk, que acompanhou a reunião em Brasília, o agente financeiro alega que esta foi a exigência feita pelo Citybank para participar do programa. O Citybank vai arcar com o risco de inadimplência das operações. A condição do Banco do Brasil para colocar o programa de reestruturação das dívidas privadas em andamento era que os riscos ficassem a encargo de outra entidade financeira, como é o caso do banco americano. Tomczyk, que a princípio considerava a cobrança de garantia um entrave às contratações, agora diz que é preciso esperar para ver como os agricultores vão reagir ao programa. Segundo ele, ainda não é possível estimar o volume de dívidas que será renegociado. “Ainda não sabemos como será a aceitação dos produtores. Mas acredito que isto pode dificultar o acesso aos recursos”, fala. Ele informou que lideranças da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja) e da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) tentaram derrubar a exigência da garantia suplementar de 100% do débito. O objetivo do setor era convencer o banco a cobrar apenas 50% do valor devido, uma vez que parte do risco será coberto por um fundo de aval, que servirá como uma espécie de garantia das operações e será alimentado com recursos dos produtores e dos fornecedores de insumos. O fundo será composto por 30% do valor do débito dos agricultores, sendo que 20% serão contrapartida das empresas de insumos e 10% serão encaminhados pelos produtores rurais. Tomczyk explica que, caso a inadimplência nas parcelas de refinanciamento seja superior ao valor que vai para o fundo, o Tesouro Nacional vai injetar um montante igual a 15% do valor da dívida dos produtores. Os demais riscos da operação serão cobertos pelo Citybank, que para isso será remunerado em 3% do valor da transação financeira.

Edição EDIÇÃO 16966




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