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ECONOMIA
Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007, 20h:09

Reajuste preocupa indústria de Mato Grosso

MARCONDES MACIEL E ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Os empresários do setor industrial de Mato Grosso estão preocupados com o provável repasse do reajuste de 253% nos preços do gás natural para as indústrias que operam com gás natural comprado junto à Termelétrica Governador Mário Covas, de Cuiabá. A partir de abril, os preços do gás natural comercializado à termelétrica passam de US$ 1,19 para US$ 4,20 por milhão de BTU (unidade térmica britânica do gás). A expectativa dos empresários é de que esse aumento se aliará à instabilidade que o setor do gás tem vivido todos esses anos e que poderá afastar os interessados em utilizar o gás natural como matriz energética. A Termelétrica de Cuiabá tem um contrato para a compra de mais 26,4 milhões de metros cúbicos de gás natural até 2.019 com a empresa boliviana Andina e pode atender até 70% do consumo interno da região. De acordo com o presidente da Pantanal Energia – empresa que controla a termelétrica – Carlos Baldi, o contrato com a Andina foi firmado em em dólar (US$ 1,19 por milhão de BTU), em 1997, e não em reais, como fez a Petrobras, que hoje paga US$ 4,30 por milhão de BTU. A usina de Cuiabá ficou vários anos sem ter qualquer aumento nos preços do gás, mas nos últimos meses o governo boliviano decidiu fazer pressão para reajustar os preços do gás. A negociação para o reajuste vinha sendo conduzida entre a Pantanal Energia e a empresa boliviana Andina, mas na quarta-feira o governo brasileiro decidiu antecipar o acordo com o presidente Evo Morales para afastar a ameaça de suspensão no fornecimento de gás natural para Cuiabá por causa dos preços. INDÚSTRIA – Ontem, o presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt), Mauro Mendes, afirmou que a instabilidade e a falta de uma definição entre os dois países é muito ruim porque afugenta os empreendimentos que poderiam aderir ao gás como matriz energética. “Hoje nenhum empresário vai migrar para o gás natural porque tem medo de fazer investimentos e não ter retorno. O custo desse aumento deve ser repassado ao consumidor sim, porque nessas situações quem paga tudo é o consumidor”, afirmou Mendes. Ele comentou que a expectativa é de que o gás natural, na bomba de combustível, suba em torno de 20% a 25%. Até porque, de acordo com Mendes, há custos de transporte desse gás natural em Mato Grosso, “o que acaba encarecendo o metro cúbico se comparado a outros Estados”.

Edição EDIÇÃO 16967




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