ECONOMIA
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008, 20h:22
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CRISE/EUA - II
Reação do dólar minimiza crise, afirmam economistas estaduais
Porém, receber mais reais pela moeda norte-americana ainda não é suficiente
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os economistas acreditam que a recuperação do dólar frente ao real poderá ajudar a anular parte dos efeitos da crise nas Bolsas mundiais e da queda dos preços das commodities. Na opinião do consultor da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Carlos Vitor Timo Ribeiro, a retomada do dólar minimiza um pouco o efeito da crise das Bolsas e dos preços dos alimentos. Acredito que o dólar deve continuar sua trajetória de recuperação, porém sem sobressaltos. Deve ser uma recuperação lenta e contínua, por isso não acredito que o valor do dólar chegará próximo de R$ 2. O prognóstico é de que haja uma freada no crescimento mundial. Se isto acontecer, a demanda por alimentos e commodities em geral também será menor. O momento exige muita cautela, afirma o economista. O professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Manoel Martha, diz que a recuperação do dólar ajuda a compensar a crise nas Bolsas. Acho que pode ajudar a equilibrar a crise. Segundo ele, dólar muito baixo é prejudicial à economia brasileira, pois tira a competitividade dos produtos destinados à exportação. O economista lembrou, contudo, que o dólar já está em um bom patamar neste momento. Se formos mais realistas, não daria para pensar em melhorar mais do que isso. Na opinião do consultor da Famato e economista, Amado de Oliveira Filho, dólar defasado é muito ruim para o agronegócio brasileiro. Se o dólar chegar a R$ 1,82, tem que se manter neste patamar. Não pode haver oscilação, pois se o produtor comprar insumo com dólar alto, tem que vender nesses patamares. Se o dólar cair, o produtor tem prejuízo. Ele analisa que, no primeiro momento, o produtor que não comprou os insumos e ainda está fechando negócio, com moeda em dólar, vai ter seus custos de produção aumentados. Quando for vender, o preço da soja vai estar menor e ele terá perdas. O diretor do Centro-Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), João Birkham, também acredita que a valorização do dólar vai ajudar a amenizar a crise [das Bolsas]. Esta recuperação vai neutralizar parte das perdas que teremos com a queda das Bolsas, mas ainda não chega a ser um fator de estímulo ao aumento das exportações. Ele acredita que enquanto houver fuga de ações da Bovespa, poderemos ter alta do dólar. O mundo inteiro espera que a crise não perdure por muito tempo. Para o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paulo, a recuperação do dólar, para o setor agrícola, é bem vista. O impacto imediato é que os produtores irão receber mais reais pela mesma quantidade de dólar. Mas, a curto prazo, ainda não será suficiente para o aumento das exportações. Ele diz que a cotação do dólar ainda não está no nível ideal para os produtores. Para o setor, o ideal seria o dólar estar cotado hoje a R$ 2,20. Mas, por conta dessas crises, é muito difícil falar o que vai acontecer. Seneri não acredita, entretanto, que o dólar vá retornar aos patamares mais baixos deste ano, quando a moeda chegou a estar cotada a menor de R$ 1,60. Na opinião do economista Carlos Vitor Timo Ribeiro, a queda dos preços das commodities não chegará a ser um desastre. O que está havendo, na verdade, é uma acomodação de preços, voltando aos níveis históricos. Os preços estavam acima da média histórica e o mercado não se sustentou, disse ele.