ECONOMIA
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011, 20h:39
A
A
Questão política, não econômica
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Apesar da apreensão manifestada pela indústria e pelos sojicultores, o setor pecuário do Estado tenta amenizar a crise e diz que ainda não há motivos para alardes. Os países árabes de modo geral são um importante destino da carne brasileira. Mas o que existe até agora naquela região é uma crise política, não econômica. Imaginamos que a crise será resolvida e a área econômica não será afetada, afirma o superintendente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Luciano Vacari. Ele diz que, por enquanto, não há motivos para tanta preocupação. Quando há um problema de embarque para um destino, os vendedores encontram outros destinos. Acredito que a situação não vai mudar e os negócios vão continuar acontecendo. Para o diretor executivo da Associação dos Proprietários Rurais do Estado (APR/MT), Paulo Resende, a crise que atravessa o Oriente Médio e chega a países como Líbia e Egito, na África afeta pouco o setor pecuário. Se a crise se alastrar, aí sim, pode prejudicar [as exportações], mas nada expressivo. Estamos preocupados, como todos, mas por enquanto a situação está sob controle. AMPLIAÇÃO Na avaliação do vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, o Brasil pode ampliar as vendas com a crise na região, caso se mantenha neutro. O Brasil pode tirar proveito dessa situação. Com a crise, podemos aumentar e até ultrapassar os Estados Unidos, afirmou. Para o Oriente Médio, o Brasil vende produtos como soja, carne bovina, frango, açúcar, suco de laranja, dentre outros. No ano passado, foram exportados mais de US$ 10 bilhões. A importação foi de US$ 4,6 bilhões. O saldo comercial foi de US$ 5,84 bilhões. Na opinião dos especialistas, a situação no Egito é a mais preocupante, porque o país é um grande importador de carnes e alimentos. No ano passado, o Egito importou mais de US$ 1,96 trilhão. O país é forte consumidor de açúcar, carne bovina e minério de ferro. A balança comercial com o Brasil foi superavitária em US$ 1,79 trilhão no ano passado.