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ECONOMIA
Sábado, 17 de Maio de 2008, 14h:29

Produtor terá de adotar nova postura

O diretor executivo da Aprosoja, Marcelo Duarte, destaca que para a próxima safra o sojicultor será obrigado a adotar uma nova postura e avaliar o volume que realmente compensa produzir. “Não adianta o mercado cobrar produtividade de 52 sacas/ha, se o mercado não remunera o produtor. Então, o racional é produzir menos e gastar bem menos. Esse será o raciocínio daqui em diante”. Com a escalada de preços dos fertilizantes nos últimos doze meses, “tem produtor que vai ter de plantar sem adubo em algumas áreas de sua propriedade. Chegou a hora do sojicultor descobrir que conta é a mais interessante para ele, se é gastar em tecnificação, e ficar sem remuneração que cubra os custos, ou produzir de forma limitada, mas sem grandes investimentos”, reforça. Duarte conta que a Aprosoja vai iniciar uma série de palestrar para levar este tipo de orientação do produtor. Em relação ao ano passado, nesta safra Mato Grosso se revelou arrojado na produção. “O produtor está atento ao mercado e passou a fixar preços à produção. Se muitos deixaram de ganhar dinheiro com o pico de até R$ 40 da saca de soja, foi porque isso aconteceu e não estava previsto. Mas o produtor, mais do que nunca sabe a importância em mensurar seu custo de produção para poder travar preços e assegurar sua margem de lucro”. Duarte lembra que o produtor foi eficiente, mas a obtenção do ponto de equilíbrio na nova safra vai depender da racionalização do uso de insumos e da otimização de todas as ferramentas que possui, principalmente, dos mecanismos de venda. Com a escalada da saca de soja para até R$ 40 no Estado, muitos sojicultores “viram a carruagem passar, mas a comercialização antecipada passa a ser uma ferramenta utilizada pelo produtor cada vez mais. A agricultura é um risco mesmo, se o produtor não pôde aproveitar os picos de preços, pelo menos está se modernizando e ganhando maturidade, pois seria se ele não tivesse feito contratos de venda antecipada. O grande volume comercializado de forma antecipada limitou os ganhos, mas assegurou retorno ao produtor, mesmo que o volume tenha sido tímido”. Para Duarte esta safra (07/08) é o verdadeiro marco do profissionalismo do segmento agrícola. “Sempre fomos destaque em questões diretamente ligadas à lavoura, nossa eficiência sempre foi reconhecida, mas agora, estamos sendo eficientes em gestão, item que faltava até então”. “A gestão do negócio rural será decisiva para esses tempos de mercado imprevisível, já que ora sobe, ora desce, seja por especulações ou por fundamentos firmes, como a relação oferta e demanda”. Questionado sobre o comportamento do mercado doravante, o diretor explica que os indicadores revelam um cenário positivo, pois os Estados Unidos sinalizam a manutenção da produção de etanol, e com isso as áreas de milho serão sobrepostas às áreas de soja, o que acirra a disputa mundial pela oleaginosa, e a escalada dos preços internacionais do petróleo. “Porém, por qualquer outra influência, como a crise dos Estados Unidos, a migração de recursos para outras áreas, pode derrubar os preços da commodity quando se esperava a subida deles, como ter efeito contrário”. (MP)

Edição EDIÇÃO 16967




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