ECONOMIA
Sábado, 29 de Novembro de 2008, 12h:08
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AVES E SUÍNOS
Preços salgados no Natal
Reajustes no quilo dos produtos mais tradicionais das ceias de final de ano podem chegar a 10% em Cuiabá
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O Natal do mato-grossense será mais salgado este ano e isso nada tem a ver com as novas receitas. Isso porque as indústrias de aves e suínos pretendem reajustar os preços dos produtos típicos desta época de festas entre 5% e 10%. E quem sentirá o aumento será o consumidor, já que os reajustes serão repassados às gôndolas. A justificativa é o aumento do custo de produção e a crescente demanda tanto do mercado externo quanto interno, explica o presidente da Associação dos Supermercados de Mato Grosso (Asmat), Cássio Catena. Na opinião do economista Fábio Siqueira, se a indústria aumentar os preços acima do crescimento da massa salarial, o consumidor poderá trocar de produto. De acordo com ele, os preços dos insumos mais elevados já provocaram reajustes em alguns produtos da cesta natalina que poderão se refletir em outras aves. Dois fatores podem justificar esta escalada nos preços da carne suína e de aves. O primeiro é que o preço do milho, principal ingrediente da ração para alimentação dos animais, subiu mais de 50% no ano e impulsionou os custos de produção para as indústrias, com reflexo direto no preço final dos produtos. O segundo fator refere-se ao aumento na demanda por carnes de aves e de suínos nos últimos meses devido à proximidade das festas de fim de ano, uma vez que muitos consumidores estão optando por estas carnes, já que a bovina também tem tido fortes valorizações, acompanhando a alta nos preços da arroba do boi e também às demandas do mercado internacional. Diante desse cenário, as duas maiores empresas do setor - Sadia e Perdigão - prevêem valores mais altos para essas carnes no final do ano, com reajustes superiores a 5%. "Estamos avaliando as correções até final do mês. Vamos considerar inflação, demanda e custo de produção", afirmam representantes da Perdigão em Mato Grosso. Apesar da alta que será repassada ao consumidor, as empresas se prepararam para neste final de ano com aumento da produção e lançamento de novos produtos. Na Sadia, a produção será até 12% maior este ano e, na Perdigão, a expectativa é que o crescimento seja superior ao de 2007, que foi de 8%. A indústria acredita que devido à recuperação do poder aquisitivo do trabalhador, o consumo de Chester e Ave Fiesta será maior este ano. OPÇÃO - Para o diretor da rede de Supermercados Modelo, Altair Magalhães, o consumidor mato-grossense deverá manter a sua preferência pelo chamado frangão, ave que pesa em torno de três quilos e tem um preço mais em conta em relação aos mais tradicionais. "O peru é a ave símbolo do Natal, mas o consumidor deverá optar este ano por um produto de boa qualidade também, porém mais barato, aposta Magalhães. Ele acha que o lombo do porco poderá ficar em um patamar de preços melhor ao consumidor porque a oferta aumentou. Outro fator positivo é a recuperação do poder de compra da população. O ganho real do salário mínimo ficou entre 5% e 8% e, na minha opinião, os consumidores poderão assimilar possíveis aumentos neste final de ano. A rede de Supermercados Modelo já está providenciando a decoração de suas lojas para incentivar o consumo no Natal. Mas acreditamos que as vendas só irão decolar pra valer mesmo a partir do próximo dia 15 de dezembro. De qualquer forma, o consumidor deve estar atento aos preços. A tabela que nos foi passada prevê um reajuste em torno de 5% para os produtos natalinos, como peru, Chester e Ave Fiesta. Nós só iremos repassar o que a indústria aumentar. Apesar dos aumentos previstos, o consumo de carne, segundo Catena, não deverá cair neste final de ano. Apostamos até mesmo que o consumo irá aumentar na mesma proporção do aumento, entre 5% e 10%, afirma.