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ECONOMIA
Sexta-feira, 18 de Julho de 2008, 20h:30

ÁLCOOL

Preço na bomba pode chegar a R$ 1,50 nas próximas semanas

Esta semana, variações ao valor do litro puderam ser vistas em Cuiabá e Várzea Grande

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
No fundo do poço há dois meses, quando as cotações atingiram um dos níveis históricos mais baixos da década (R$ 0,63/litro do álcool), as usinas sucroalcooleiras de Mato Grosso apostam na recuperação dos preços nas próximas semanas por conta dos “ajustes naturais do mercado” e da conjuntura internacional. Ontem, alguns postos de Cuiabá ainda vendiam o produto por R$ 1,05/litro, embora muitos já tenham “realinhado” os preços a patamares de R$ 1,15 a R$ 1,39. “Este tipo de sobressalto não é bom para ninguém. O ideal seria que tivéssemos um preço médio constante de R$ 1,50 na bomba de janeiro a dezembro. Poderíamos no decorrer do ano ter algumas variações, para mais ou para menos, mas a média teria que ser esta para que o setor pudesse se sustentar e o consumidor não ter surpresas desagradáveis no futuro”, pondera o superintendente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool), Jorge dos Santos. Ele diz que o processo de recuperação será “lento e gradual”, mas já se observa uma melhora nos preços para os usineiros. “Saímos de R$ 0,63 há cerca de 20 dias e, na semana passada, as indústrias já estavam vendendo o produto a R$ 0,73. A informação extra-oficial que temos é de que as cotações na segunda-feira desta semana começaram melhores e a expectativa é de que os preços continuem reagindo até atingir patamares de R$ 1,50 na bomba”. Santos afirmou não entender o porquê de os preços para o consumidor estarem tão baixos. “O que nos chama a atenção é que os postos que estão praticando os menores preços são da Petrobras e não de redes emergentes (bandeira branca). Isso reforça a tese de que o álcool que está na promoção é sobra de estoque comprado no período em que as médias de preços nas usinas eram menores”. Santos lembrou que as usinas iniciaram a safra em abril, mas não conseguiram trabalhar devido ao excesso de chuvas. “Com o início simultâneo da produção em todas as usinas, houve excesso de estoque na mão do usineiro, que culminou na queda dos preços para as distribuidoras e, conseqüentemente, para os postos e consumidores”, esclareceu. (Veja quadro ao lado) MERCADO - A partir de agora, segundo ele, a tendência é de que os preços se recuperem. “Prevemos um impulso maior nos preços porque as exportações estão reagindo – saíram de 3,2 bilhões de litros para 5 bilhões, este ano. Com isso, haverá menos estoque no mercado interno e os preços vão subir”. Outra hipótese para a recuperação dos preços é a queda da safra de milho no oeste norte-americano. “Os Estados Unidos não vão conseguir cumprir a legislação de adição de álcool à gasolina e serão obrigados a importar. Temos informações de que fundos americanos já estariam comprando álcool no Brasil para estocar, na expectativa de que a sobretarifa de US$ 0,54 que os EUA cobram por galão do nosso álcool, na exportação, seja derrubada. Com isso, o nosso álcool vai ficar mais competitivo no mercado norte-americano, despertando a atenção dos exportadores”. Os usineiros alimentam ainda a esperança de que no segundo semestre deste ano a cotação do açúcar no mercado internacional possa melhorar. “Algumas tradings já estão fazendo grandes compras, apostando na recuperação dos preços. Confirmando-se isso, parte do estoque de cana será canalizada à produção de açúcar. É uma questão mercadológica. O produtor vai vender para quem paga mais e aí a produção interna poderá ficar reduzida, ajustando naturalmente o mercado”.

Edição EDIÇÃO 16963




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