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ECONOMIA
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, 21h:40

TRIBUTOS

Preço do litro da gasolina a R$ 1,38 durante protesto

Pela primeira vez, campanha chega a Cuiabá e deve ser executada em 3 pontos da cidade

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Por um dia, a população da Baixada Cuiabana terá oportunidade de abastecer o carro pagando R$ 1,38 pelo litro da gasolina, preço calculado sem o valor dos impostos. A “promoção”, a ser realizada na primeira quinzena de junho, é parte de uma campanha dos postos revendedores de Mato Grosso para protestar contra a carga tributária incidente sobre os combustíveis. A ação é semelhante à realizada em outras cidades brasileiras, que também venderam combustíveis livres de impostos na última terça-feira. “Com a campanha, queremos mostrar à sociedade o peso dos impostos sobre os preços do álcool, da gasolina e do diesel (até 46%) e, ao mesmo tempo, protestar contra a alta carga tributária no Brasil”, explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipetróleo), Aldo Locatelli. De acordo com cálculos da entidade, dos cerca de R$ 2,67 cobrados pelo litro da gasolina, R$ 1,29 são impostos. No caso do álcool, o valor dos tributos é de R$ 0,24 e, no diesel, R$ 0,63. Sem os impostos, os preços da gasolina cairiam, em média, para R$ 1,38, o álcool a R$ 1,32 e o diesel, R$ 1,55. “Vamos sortear três bairros de Cuiabá e escolher um posto em cada bairro. A população precisa saber o preço real dos combustíveis e quanto ela paga em impostos para o governo”, afirmou Locatelli. Em Mato Grosso são 750 postos em atividade. O Sindipetróleo pretende divulgar a campanha por meio de faixas, cartazes e outdoors. COMÉRCIO – Estudo realizado pela Federação do Comércio, Bens e Serviços de Mato Grosso (Fecomércio) mostra a alta carga tributária no Brasil. Segundo o coordenador da Câmara Tributária da Fecomércio, Paulo Gasparotto, 40% do valor cobrado em um produto são impostos. “A cada R$ 100 em compra, o consumidor deixa aproximadamente R$ 40 para o governo”, diz Gasparotto. Entre os tributos embutidos estão o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição sobre Financiamento da Seguridade Social), IR (Imposto de Renda), contribuição social e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Ao todo, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), são 61 tributos, entre impostos, contribuições e taxas cobrados no Brasil atualmente. “Defendemos a redução gradual dos impostos até se chegar a patamares aceitáveis, de até 25%”, diz Gasparotto. OPRESSÃO – Na avaliação do diretor regional do IBPT, Darius Canavarros, as empresas vivem “opressão tributária” com a elevada carga de tributos. “O empresário está trabalhando dentro de um regime de opressão e a população está arcando com os prejuízos”, diz. Pesquisa do IBPT mostra que atualmente o brasileiro trabalha o dobro do que trabalhava na década de 70, para pagar tributos. De janeiro até o dia 28 deste mês, quase cinco meses foram trabalhados somente para pagar impostos. Na última terça-feira, ainda de acordo com o IBPT, os brasileiros ultrapassaram a marca de R$ 474 bilhões pagos em tributos no ano. Para o coordenador de Estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, o crescimento na arrecadação de 2010 volta a se igualar ao de 2008, já que em 2009 a marca foi atingida no dia 27 de maio. “Isso se deve ao ritmo maior de crescimento do país, que apresenta reflexos mais evidentes nos tributos sobre a renda e o patrimônio”, destaca.

Edição EDIÇÃO 16966




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