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ECONOMIA
Terça-feira, 12 de Junho de 2012, 20h:45

VAZIO SANITÁRIO

Período de proibição da soja começa na próxima sexta-feira

Com a expansão do clima chuvoso, produtor terá de ter mais atenção

MARIANNA PERES
Da Editoria
A partir do próximo dia 15 de junho estará proibido o cultivo de soja para fins comerciais – exceto pesquisa e sementeiras – em Mato Grosso. O período que compreende a entressafra da cultura dura 90 dias e se encerra em 15 de setembro, possibilitando o início da safra 2012/13 do grão. Além da tradicional atenção que o segmento vem dando ao Vazio Sanitário - como forma de amenizar os efeitos da ferrugem asiática sobre as lavouras - que neste ano entra na sexta temporada, para 2012 a vigilância terá de ser redobrada, já que a chuva que ainda é registrada no Estado amplia a população vegetal e assim há mais plantas para manter o fungo vivo à espera da nova safra. “Será um desastre se a nova safra estadual de soja nascer com ferrugem”, alerta o diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Nery Ribas. A doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi ataca a planta e compromete o desenvolvimento dos grãos e assim, impacta diretamente sobre a produção e a produtividade. Desde que a doença foi registrada no Brasil, há dez anos, ela já causou prejuízos de cerca de US$ 20 bilhões no Brasil, dos quais US$ 10 bilhões somente em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão. O levantamento considerou perdas e desembolsos extras em toda a cadeia da oleaginosa, inclusive do ciclo 2011/12. Na prática, o Vazio Sanitário significa que, durante o período de 90 dias, não se deve ter planta viva de soja. O objetivo do procedimento é evitar a transmissão da ferrugem asiática. “Deixar de plantar por um período é uma ação chamada de eliminação da ponte verde, já que as plantas se tornam o principal hospedeiro da doença”, explica Ribas. Com uma umidade de solo acima do registrado para o período, a tendência é de que aumente o número de plantas guaxas – sementes que se perdem durante a colheita e transporte e acabam germinando de forma involuntária – que vão dar frutos e abrigar o fungo, que só se hospeda em plantas vivas. O período é considerado de extrema importância pelo segmento, pois estabelece o controle do fungo causador da ferrugem asiática, doença que atacou severamente o Estado na safra 2011/12, quando os produtores sofreram uma perda de mais de 800 mil toneladas do grão. Questionado sobre estratégias, Ribas explica que em uma temporada que começa sob a ameaça de alta incidência da doença não há outra alternativa a não ser eliminar as plantas guaxas. “Em função do clima atual o extermínio pode ser feita quimicamente, ou mesmo de forma mecânica, o importante é que o produtor esteja atento em toda sua região de atuação, perto dos armazéns e nas estradas”. Como completa, “é preciso estar consciente do que o Vazio representa para o Estado. A ferrugem traz perdas em efeito dominó que começam nas lavouras e impactam na economia das cidades produtoras e até na geração de empregos”, sentencia Ribas. O Instituto de Defesa Agropecuária (Indea/MT) estará fiscalizando as propriedades durante todo o período de proibição. “O Indea/MT não vai dar trégua ao produtor”, avisa Ribas. 2011/12 – Clima adverso e ferrugem deixaram o Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura de Mato Grosso mais pobre neste ano. Estimativas do segmento apontam para perdas de R$ 1 bilhão como reflexo da produtividade menor nas lavouras de soja, rendimento este abocanhado principalmente pela ferrugem asiática e por fatores climáticas que também prejudicaram o desenvolvimento das plantas. ATENÇÃO - De acordo com a legislação, a semeadura da soja só deve começar a partir de 16 de setembro. Durante este período, o plantio da oleaginosa é proibido por lei, exceto em caso de cultivo para pesquisa científica e experimentos, com prévia autorização dos órgãos de defesa sanitária. O desrespeito à restrição é considerado infração gravíssima e pode acarretar multas de até 3 mil UPFs (Unidades Padrões Fiscais). Caso seja constatada a presença de plantas vivas de soja, o Indea/MT emite termo de notificação, com auto de infração e prazo para que o proprietário da área providencie a destruição das plantas.

Edição EDIÇÃO 16963




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