ECONOMIA
Sábado, 08 de Setembro de 2007, 13h:36
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APERTO
Penhor tem sido a saída
Procura tem sido tão intensa que a média dos empréstimos no Estado, em R$ 400, supera em 66% os R$ 240 médios do Brasil
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Crise financeira e problemas de endividamento têm levado um número cada vez maior de pessoas a procurar socorro junto às instituições financeiras, empresas de fomento mercantil e até mesmo agiotas aqueles que emprestam dinheiro clandestinamente a juros considerados extorsivos, chegando à taxa de até 15% ao mês. Os números, contudo, mostram que o mecanismo mais usado pela grande maioria da população pessoas situadas na classe média baixa é o penhor da Caixa Econômica Federal (CEF). O valor médio de empréstimo na área de penhor da Caixa, em Cuiabá, é de R$ 400, 66% acima, portanto, da média nacional, estimada em R$ 240. Recente pesquisa da Caixa constatou, por meio de entrevistas, que o penhor de jóias é usado em 70% dos casos para o pagamento de dívidas pessoais. Mais: quem faz esse tipo de empréstimo geralmente é autônomo ou tem seu negócio próprio, ou ainda é funcionário público ou privado e já utilizou essa ferramenta mais de uma vez. Dona Maria Aparecida Ester Tavares, 34, promotora de vendas, residente no Parque Cuiabá, já recorreu três vezes ao penhor da Caixa para quitar dívidas de compras de roupas e calçados. Resolvi no final do ano passado renovar o guarda-roupa e fiz uma compra a prazo no valor de R$ 1,75 mil em duas lojas, uma de confecções e outra de calçados. Logo no segundo mês o meu salário atrasou e não tive como pagar as prestações, que totalizavam R$ 420. Como tinha algumas jóias guardadas, fui até uma agência da Caixa Econômica e as troquei por dinheiro. Foi o suficiente para quitar aquela dívida momentânea, relata Maria Aparecida. Ela conta que em outras duas ocasiões também utilizou a modalidade de penhor da Caixa por motivo semelhante. Em ambas ocasiões, consegui o dinheiro e depois recuperei as jóias após quitar o financiamento. A funcionária pública Cláudia Regina Neves, 38, moradora do Tijucal, já utilizou o penhor da Caixa quatro vezes. A primeira foi para pagar o colégio dos filhos, pois as mensalidades estavam atrasadas. Depois me endividei outras três vezes com compras de presentes no final de ano e aquisição de material escolar. Quitei a dívida com a Caixa em três ocasiões e estou pagando os juros do último financiamento que fiz, no mês de fevereiro, no valor de R$ 900. É assim que faço toda vez que me aperto: pego as jóias e vou à Caixa trocá-las por dinheiro, diz, esperançosa de que quitará a dívida até o próximo mês de novembro. Estou amortizando as dívidas mensalmente. Cada vez pago um pouco. Hoje o saldo é de apenas R$ 350. Como Maria Aparecida e Cláudia Regina, outras centenas de pessoas estão se dirigindo diariamente às agências da Caixa Econômica em busca de financiamento por meio do penhor de jóias. A maioria das pessoas que faz uso do penhor é composta de mulheres, sendo que a maior concentração está na faixa de 35 a 50 anos. Com relação à renda, mais de 50% dos clientes possuem renda salarial entre cinco e vinte salários mínimos, ou seja, a classe média é a que recorre ao serviço com mais freqüência. As pessoas chegam aqui e logo são atendidas, retornando com dinheiro no bolso, conta o avaliador executivo da Agência de Penhor da Caixa Econômica Federal em Cuiabá, Tulane Batista de Almeida. Entre os motivos que levam as pessoas a procurar a Caixa, segundo ele, estão a agilidade no atendimento, inexistência de burocracia e baixas taxas de juros.