ECONOMIA
Sábado, 27 de Junho de 2009, 12h:19
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45ª EXPOAGRO
Pantaneiros roubam cena
Égua Herança e o cavalo Debochado, estrelas da abertura da novela Paraíso, prometem quebrar os recordes da raça
MARIANNA PERES
Da Editoria
O ritmo no Parque de Exposições Jonas Pinheiro, em Cuiabá, é frenético nesses dias que antecedem ao início da 45ª Exposição Internacional, Agropecuária, Industrial e Comercial de Mato Grosso (Expoagro), que será realizada pelo Sindicato Rural de Cuiabá no período de 2 a 12 de julho. Com praticamente 100% dos estandes comercializados, a Expoagro, promete recuperar o status de maior evento do segmento no Centro-Oeste ao contabilizar negócios de cerca de R$ 30 milhões. A feira investe forte no seu grande carro-chefe e sua marca, os leilões, anunciando 24 arremates, contra 18 realizados no ano passado. As atenções dos criadores se voltam para o XVII Leilão de Elite do Cavalo Pantaneiro, que entre os 45 exemplares do símbolo da raça equina mato-grossense, trará duas estrelas que prometem quebrar recordes anteriores: a égua Herança e o cavalo Debochado, pantaneiros que estão na abertura da novela da Globo, Paraíso. Os animais, no enredo, representam as personagens Santinha e Zeca, o filho do diabo, os protagonistas do horário das seis. Por enquanto, pairam no ar apenas expectativas sobre o leilão do dia 10 de julho, no Centro de Eventos da Acrimat, no Parque de Exposições. A princípio, a meta é superar os R$ 900 mil contabilizados no arremate do ano passado, e chegar nesta edição a R$ 1 milhão. Naquela ocasião, a égua pantaneira Havana bateu recordes ao ser arrematada por R$ 52 mil. No início deste mês, uma feira em Poconé (104 quilômetros ao sul de Cuiabá) - cidade símbolo da raça pantaneira e da cultura pantaneira de Mato Grosso comercializou animais com média de preços de R$ 10 mil a R$ 12 mil, o que ratifica a supremacia de Havana e a importância do seu valor de arremate. No leilão do Cavalo Pantaneiro do ano passado na Expoagro, os R$ 900 mil arrecadados elevaram o certame ao primeiro lugar no ranking entre as raças equinas e ao terceiro lugar entre os 18 leilões realizados. CRIADORES Com cinco anos de idade, Herança está se acostumando com os flashs. Desde que estreou na Globo, ela virou atração da fazenda Promissão, em Poconé, do criador Paulo Moura. Ele conta que na exposição ocorrida este mês na cidade muitas pessoas tiraram foto ao lado dela. Questionado se não dá dor no coração colocar a pantaneira à venda, Moura explica, com certo pesar, que a atividade é esta mesma, que não dá para ter tanta emoção assim nos negócios, mas que ele tem ainda o pai, a mãe e os irmãos da Herança. Debochado, de cinco anos, coleciona títulos desde suas primeiras apresentações como potro. Já em 2007, na sua primeira participação em julgamentos como um adulto, levou o título de campeão da raça. O seu proprietário, Evandro Borba, do Haras Coxipó, conta que o Debochado é um exemplar da evolução da raça, tanto na beleza estética, como na função. Tem temperamento dócil, bom na lida e um excelente garanhão. Entretanto, não arrisca palpites ao leilão. Sobre a venda, Borba reconhece que será uma grande perda ao plantel, mas argumenta, que o leilão de um animal tão especial como Debochado, é uma forma de divulgar a raça. O cavalo pantaneiro está saindo do Pantanal, todas as suas qualidades estão sendo reconhecidas e valorizadas. RAÇA Os criadores frisam que a raça vem colecionando nos últimos anos uma fantástica valorização. O pantaneiro é considerado um cavalo com todas as características que uma fazenda requer: é rústico, dócil e versátil. Anda macio e tem uma incrível resistência para o trabalho do campo e para a lida com o gado, mesmo desferrado. A raça está sendo redescoberta também pelos aficionados por cavalos como opção, por exemplo, para cavalgadas recreativas, enduros, provas de laço, baliza e tambor. (Veja mais na página C2)