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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 16h:41

No atual cenário, um olho no campo e outro no câmbio

A supersafra mundial de soja prevista para este ano – 253,58 milhões de toneladas, segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) - poderá derrubar os preços futuros da oleaginosa para um piso ao redor dos US$ 9 por bushel – padrão de medida norte-americano que equivale a 27,21 quilos), caso não ocorram frustrações na safra 09/10 da América do Sul. Por outro lado, a forte demanda de soja por parte da China, a alta dos preços do petróleo e a recuperação da economia e do consumo mundial estabelecem uma barreira contra quedas mais expressivas dos preços. De acordo com Eduardo Godoy, analista de mercado da AgRural, as cotações atuais nas bolsas de Chicago são as mais baixas em dois meses (US$ 9,78/bushel) para contrato com vencimento no mês de março. Em 2009, nesta mesma época, o preço em Chicago estava em US$ 9,69. “Porém, a diferença é que nessa mesma época, em 2009, tínhamos um câmbio de R$ 2,30. Agora temos dólar de R$ 1,74. O problema maior não são os preços, mas o câmbio. Mesmo levando-se em conta que no mercado físico os preços recebidos pelo produtor de Mato Grosso são os mais baixos desde agosto de 2007”. Em Sorriso – maior produtor mundial de soja, a 460 quilômetros ao norte de Cuiabá -, a saca da soja está sendo negociada atualmente por R$ 29, enquanto em Primavera do Leste (239 quilômetros ao sul de Cuiabá) a oleaginosa está cotada a R$ 31, devido ao fator logística, uma vez que a região está localizada mais próxima dos portos de exportação em relação a Sorriso. Já na mesma época do ano passado, a soja chegou a ser vendida por até R$ 37,50 em Sorriso e R$ 41 em Primavera. FUTUROLOGIA - Para José Vicente Ferraz, da AgraFNP, as previsões para 2010 são um exercício de futurologia, que transcende as questões dos mercados do agronegócio. “É preciso saber os rumos da economia mundial", pondera. As principais preocupações são com os caminhos da economia dos EUA, com uma eventual "bolha" nos países em desenvolvimento e com os rumos do câmbio no Brasil. "Tudo isso preocupa porque interfere no agronegócio", diz. Ferraz acredita que o agronegócio dará novos passos neste ano, desde que não haja novas turbulências no mercado. Na avaliação dele, o Brasil deve conseguir US$ 49,7 bilhões de receitas com as exportações de apenas três dos principais produtos da balança comercial: carnes, setor sucroalcooleiro e complexo soja. Se confirmado, esse valor supera os US$ 48,6 bilhões de 2009, dados também estimados pela AgraFNP. Nas contas do Ministério da Agricultura, as receitas totais do agronegócio ficam próximas dos US$ 62 bilhões em 2009, valor acima do que se previa inicialmente, mas abaixo dos US$ 69,3 bilhões de 2008, quando os preços agrícolas atingiram valores recordes no mercado internacional. (MM)

Edição EDIÇÃO 16962




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