ECONOMIA
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 20h:31
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RELAÇÕES EXTERNAS
Negócio da China no país das Olimpíadas
Economia estadual descobriu seu maior parceiro comercial na Ásia. Doze anos se passaram da primeira missão e vendas somaram US$ 776 milhões em 2007
EDUARDO GOMES
Da Reportagem/Rondonópolis
Negócio da China, sim, senhor! Esta é a melhor frase para definir a relação comercial de Mato Grosso com o país das Olimpíadas e que no ano passado importou US$ 776,7 milhões (FOB) do agronegócio mato-grossense. A conquista do mercado chinês não é obra do acaso. Ela acontece por uma série de fatores e tende a se ampliar, numa relação que mantém Pequim em primeiro lugar no prato das importações da balança comercial quase sem a presença dos produtos exportados pelos mandarins. Em meados de 1996, uma barreira sanitária fechava o mercado europeu à carne bovina mato-grossense. Também não era para menos. Afinal, até 16 de janeiro daquele ano a febre aftosa reinava absoluta nas invernadas no Estado. A conquista das gôndolas dos supermercados da Europa somente seria possível com a erradicação da doença, que em outras palavras significava rígido controle de vacinação e tempo. Muito tempo! A barreira imposta pelos europeus fez Mato Grosso olhar para a China, país com 1,3 bilhão de habitantes e mais populoso que a Europa. Em outubro de 1996 uma caravana brasileira de lideranças do setor pecuário embarcou para Pequim. Em sua composição os presidentes da Comissão Nacional da Pecuária de Corte, João Carlos de Souza Meirelles, e da Federação da Agricultura e Pecuária (Famato), Zeca DÁvila. Pelo quantitativo e o perfil do seu rebanho, Mato Grosso foi mercadoria fácil de ser vendida a Pequim. Consumou-se o casamento. O governador Blairo Maggi fez incursões à China, acompanhado de políticos e empresários. Numa das viagens o prefeito de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) Adilton Sachetti integrou a comitiva. À época, Sachetti era vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e conselheiro da regional dessa entidade, a Ampa, e no exercício desses cargos articulou com cotonicultores chineses um intercâmbio de informações técnicas acendendo a luz que abriu o caminho à exportação de plumas para Pequim. O algodão navegou pelo caminho que a carne começava a percorrer. A soja também e a madeira não ficou para trás. De pequeno traço na balança comercial os negócios de Mato Grosso com a China em 1996 saltaram para o topo do ranking das exportações, com US$ 165,4 milhões (FOB) em 2003, US$ 856,59 milhões (FOB) em 2006 e US$ 776,79 milhões (FOB) no ano passado, o que representa 15,14% das exportações mato-grossenses. No sentido inverso o mercado é mixuruca. No ano passado não foi além de US$ 88,96 milhões. SEM VOLTA - A monovia comercial existente é questionada pelos chineses, que têm interesse em investir na construção de ferrovias e na geração de energia em Mato Grosso. O monstro da burocracia brasileira impede que o Dragão Chinês despeje iuans (sua moeda) em obras estruturantes que o governo brasileiro não tem orçamento para executar. BUROCRACIA - Uma missão chinesa com 14 componentes e chefiada pelo vice-diretor geral do Departamento de Produção Vegetal da China, Sui Pengfei, visitou Mato Grosso em 2005. Os chineses conheceram lavouras em Campo Verde e Lucas do Rio Verde, ao sul e ao norte do Estado. Pengfei revelou o interesse da agricultura de seu país em conhecer as condições em que são feitos os cultivos das lavouras de soja e suas rotações de cultura, porque em seu país produtividade deixa a desejar. O chefe da missão chinesa não falou sobre a intenção da China em exportar tratores para Mato Grosso. A missão se reuniu com o secretário de Desenvolvimento Rural à época, Homero Pereira para convencê-lo sobre a versatilidade, preço e qualidade dos tratores com potência até 50 cavalos produzidos em seu país. Pereira admitiu que seria vantajoso importar esse tipo de trator para a agricultura familiar, desde que o governo federal concedesse desoneração tributária. O emaranhado burocrático brasileiro dificulta o fechamento de um acordo para que as máquinas agrícolas chinesas cheguem ao mercado mato-grossense. Quem perde com isso é o pequeno agricultor, que poderia comprar trator ideal para sua necessidade na faixa de US$ 6 a US$ 11 mil.