ECONOMIA
Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008, 20h:46
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SAFRA 08/09
MT pode ficar sem recursos ao custeio
Secretário-adjunto de Microfinanças e Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, disse a lideranças ruralistas que BB não tem dinheiro
MARIANNA PERES
Da Editoria
Depois do susto ao confirmar que a safra mato-grossense de soja 08/09 será a mais cara da história estadual e que a rentabilidade será de cerca de 3%, os sojicultores estaduais tomaram outro susto, este último, o maior deles: Mato Grosso pode ficar sem recursos públicos para o custeio da nova temporada que começa a partir do dia 15 de setembro, com o fim do período do Vazio Sanitário, que proíbe o plantio do grão para fins comerciais por 90 dias. A afirmação de que o Banco do Brasil não tem recursos para aplicar no Estado caiu, literalmente, feito bomba sobre o setor, na tarde de ontem, como informou a assessoria de imprensa da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja). O Banco do Brasil (BB) não tem, por enquanto, recursos para financiar o custeio da safra 2008/2009, apesar de o governo federal ter anunciado aumento de 12% nos recursos para este ano. A informação sobre a falta de dinheiro foi dada esta semana pelo secretário-adjunto de Microfinanças e Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, a representantes do setor rural de Mato Grosso em reunião ocorrida na última quarta-feira, em Brasília. Com a divulgação da falta de recursos para o custeio deste ano, fica evidente que, mesmo os produtores pagando as parcelas do custeio repactuado e as do FAT Giro/Rural, o BB não terá como liberar financiamentos para esta safra. Recebemos uma mensagem clara por parte do governo federal, não se trata de uma dedução da nossa parte, avalia o diretor administrativo da Aprosoja/MT, Ricardo Tomczyk. Segundo a fonte do governo federal, o BB terá apenas recursos para a equalização dos juros, ou seja, para bancar a diferença entre a taxa paga pela captação de recursos no mercado e a cobrada pelo banco nos empréstimos rurais, de 6,75% ao ano no caso dos recursos controlados. De acordo com Aprosoja, o BB é o maior agente financeiro de empréstimos agrícolas, mas a cada ano reduz a participação nos financiamentos oficiais nas safras. Nos últimos quatro anos, as liberações de crédito rural feitas pelo Banco caíram pela metade. Em 2003, respondiam por 100% e em 2007 diminuíram para 50%. Para este ano, Mato Grosso precisará de R$ 13,950 bilhões para produzir as principais culturas (soja, milho, algodão, arroz e feijão), sendo que desse total R$ 8,308 bilhões serão destinados à soja. Chegamos a um momento em que o produtor, inevitavelmente, terá que decidir se deve priorizar o pagamento dos débitos renegociados ou o custeio da safra deste ano. Caso opte pela primeira opção, poderá correr o risco de conseguir os recursos necessários para o plantio apenas em janeiro. Então, já será tarde demais, alerta o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, que esteve em Brasília. O prazo para o pagamento das parcelas de custeio venceu no dia 15 de agosto e as informações dão conta de que a partir da próxima semana o BB intensifique as cobranças junto aos produtores. Não adiantou nada anunciar mais recursos para a safra deste ano, se o dinheiro ficará somente no campo virtual, pondera o diretor da Aprosoja/MT. No início de julho, o governo federal anunciou R$ 65 bilhões para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) e para a agricultura empresarial, valor 12,1% superior ao da safra 2007/2008. SOJA MT - Pelas contas da entidade, a nova safra demandará investimentos de US$ 909, contra US$ 591 aplicados na safra anterior (07/08), alta de 54% de um ano para o outro. Porém, a alta poderá ser de 102%, considerando que das safras 03/04 a 06/07 a saca teve um custo médio de produção de cerca de US$ 9 média de US$ 450 o hectare -, passando para US$ 11,82 no ano passado e projetada em US$ 19 na nova temporada. Pelas estimativas da Aprosoja, considerando os custos variáveis (insumos de modo geral), o produtor terá a nova safra dividida da seguinte forma: custos de produção vão abocanhar 66%, frete, 28%, e sobrará 7% de margem. (Com assessoria)