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ECONOMIA
Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011, 18h:47

SOJA

Moratória é renovada até 2013

A área de soja plantada em terras de novos desmatamentos na Amazônia na safra de 10/11 saltou de 6,2 mil hectares para 11,6 mil hectares em relação ao período anterior. Apesar do avanço, a cadeia produtiva do setor considera que a cultura não é mais uma das principais causas do desmatamento do bioma. Os números foram apresentados ontem durante a renovação da Moratória da Soja, iniciativa de empresas exportadoras e organizações da sociedade civil para boicotar a soja produzida em áreas de novos desmatamentos na Amazônia. Assinada pela primeira vez em 2006, e repactuada ano a ano, a moratória foi renovada até 31 de janeiro de 2013. A partir de imagens dos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Grupo de Trabalho da Soja (GTS) sobrevoa polígonos e avalia se houve plantio de soja nas áreas de novos desmatamentos. Se o grão foi plantado nessas áreas de derrubada recente, a fazenda passa a ser boicotada pelos compradores. Dos 375 mil hectares monitorados na última safra, o GTS identificou plantio de soja em 11,2 mil hectares. A área corresponde a 0,39% do total desmatado em Mato Grosso, Pará e Rondônia após julho de 2006, quando o embargo foi declarado. Os três estados são responsáveis por 98% da produção de soja na Amazônia. Em todo o bioma, há 1,96 milhão de hectares de lavouras da oleaginosa. Além do monitoramento, o GTS quer estimular a inscrição do Cadastro Ambiental Rural (CAR), uma ferramenta de regularização fundiária com identificação georreferenciada das propriedades rurais, com a delimitação de áreas que devem ser preservadas, como a reserva legal. “É possível identificar onde se desmata. Temos de avançar para identificar quem desmata. E esse é o papel do CAR”, avaliou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A expectativa de flexibilização do Código Florestal tem esvaziado o CAR, segundo a ministra. Os produtores estão aguardando as alterações antes de registrar suas propriedades. A expectativa do setor é que a mudança em tramitação do Congresso torne a lei menos rígida. O diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, que coordena a sociedade civil no GTS, disse que o debate enviesado sobre o Código Florestal tem criado expectativa de anistia para desmatadores. Isso, acrescentou, pode comprometer os resultados futuros da moratória. AMAGGI - A empresa mato-grossense Amaggi é integrante do GTS desde a sua criação e uma das grandes incentivadoras da manutenção da Moratória. Na avaliação do diretor-superintendente da Amaggi, Judiney Carvalho, a Moratória é um instrumento fundamental dentro da cadeia de valor da soja, no sentido em que eleva as exigências para produção sustentável da oleaginosa. “Os mercados estão cada vez mais interessados em produtos desenvolvidos com respeito ao meio ambiente e os resultados da Moratória são um atestado de confiabilidade aos consumidores”, explica. A renovação da moratória foi elogiada pela Amazon Alliance, um grupo internacional de empresas compradoras de soja brasileira. Entre elas, o Carrefour e o McDonald's. Em comunicado, o grupo se diz preocupado com as alterações na lei ambiental brasileira.

Edição EDIÇÃO 16967




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