ECONOMIA
Quinta-feira, 13 de Junho de 2013, 20h:50
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DÓLAR
Moeda fecha com queda de quase 1% sem IOF
Após atingir maior nível em 4 anos, cotação retrai refletindo a retirada do imposto sobre as posições no mercado futuro, aumentando a oferta
Um dia depois de atingir o maior nível em quatro anos, o dólar comercial fechou ontem com queda de quase 1%. A moeda norte-americana fechou o dia cotado a R$ 2,1334 para venda, 0,96% abaixo do fechamento registrado anteontem. A queda ocorreu um dia depois de o governo retirar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as posições vendidas de dólar no mercado futuro. A medida aumenta a oferta de dólares no mercado e reduz as pressões para a alta da moeda norte-americana. Na última quarta-feira, o dólar comercial tinha fechado em R$ 2,1541 para venda, no maior nível desde 30 de abril de 2009. A alta da cotação do dólar nas últimas semanas ocorreu devido à indicação de que o Federal Reserve (FED, o Banco Central norte-americano) reduzirá os estímulos monetários que têm impulsionado a economia dos Estados Unidos nos últimos anos. Com a diminuição do volume de dólares em circulação, a moeda fica mais cara, o que afeta as cotações em todo o mundo. A mudança no cenário internacional fez o governo brasileiro reagir. Primeiramente, o Banco Central (BC) retomou as operações de swap cambial tradicional, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. Nos últimos nove dias, o governo retirou barreiras para a entrada de capitais estrangeiros no país na tentativa de segurar o câmbio. No último dia 4, Mantega anunciou a isenção de IOF cobrado sobre as aplicações de estrangeiros em renda fixa no Brasil. Na ocasião, o governo também zerou o imposto cobrado sobre o depósito de margem de derivativos, quantia que os investidores depositam ao iniciar operações no mercado futuro. Anteontem, a última barreira foi eliminada, com a redução a zero do IOF sobre as posições vendidas líquidas no mercado futuro. As operações no mercado futuro são feitas em reais, mas interferem na demanda e na oferta de dólares. Isso porque os investidores na ponta vendedora são obrigados a repassar a quantia em reais correspondente à cotação da moeda norte-americana definida na assinatura de cada contrato. AVALIAÇÃO - As medidas do governo federal para conter a alta do dólar vão surtir efeito, de acordo avaliação do economista Felipe Salto, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e analista da Tendências Consultoria. A tendência é que o dólar alcance patamar mais baixo ao longo do ano. A expectativa da Tendências é que o dólar chegue ao final deste ano em R$ 2,10. Ele lembrou que no dia 12 o dólar fechou o dia com o maior valor desde 30 de abril de 2009, quando o câmbio atingiu R$ 2,182. Para Salto, além de ajudar na cotação do dólar, as medidas do governo vão evitar que o contágio da alta da moeda americana sobre a inflação no Brasil. Se o dólar está mais alto, os preços de produtos importados mais elevados são repassados aos consumidores no mercado interno.