ECONOMIA
Segunda-feira, 08 de Junho de 2015, 21h:01
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SOJA 2015/16
Menor expansão em 6 anos
Conforme o Imea, nesse primeiro momento, preços baixos e o elevado custo de produção limitam os investimentos
MARIANNA PERES
Da Editoria
A sojicultura mato-grossense deverá registrar na próxima safra a menor evolução de área plantada e de produção dos últimos seis anos. Conforme a primeira estimativa oficial para o ciclo 2015/16, divulgada ontem pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o crescimento anual será de 1,82% e 1,79%, respectivamente. Até o momento, a tímida evolução reflete um cenário desfavorável ao produtor, com pressão baixista sobre a saca e de inflação sobre os custos de produção. Os números apontam para mais uma temporada recorde no Estado, porém, com o menor crescimento anual desde o início da sua guinada, na safra 2009/10, destacam os analistas do Imea. Mesmo crescendo menos, Mato Grosso seguirá líder nacional da oferta do grão. Nessa primeira sondagem, a expectativa para a área semeada com a oleaginosa é de 9,1 milhões de hectares, representando uma elevação de 1,82% em relação à última estimativa da safra 2013/14, o equivalente a um aumento de 163 mil hectares. Apesar de o avanço anual corresponder a apenas 1/3 do aumento ocorrido na safra 2014/15 (6%), o Estado está caminhando para mais um ano de áreas inéditas, com a incorporação de áreas de pastagem. A região que lidera a evolução da área é a nordeste, com o aumento de 56,67 mil hectares, o equivalente a 4,07%. Com esta evolução, a região passa a apresentar 1,45 milhão de hectares. Entretanto, em avanço percentual a região a apresentar a maior evolução é a norte, com 10,39%. Como esta região apresenta a menor área entre as demais, em valores absolutos este avanço corresponde a apenas 22 mil hectares. Já a região do médio-norte, avança para 3,13 milhões de hectares na estimativa da safra 2015/16, representando agora 34,4% da área total semeada no Estado, contra 34,1% na safra 2014/15. As regiões noroeste, oeste, centro-sul e sudeste apresentaram avanço de 3,81%, 0,46%, 1,93% e 1,15%, respectivamente. Esta expansão continua ocorrendo, assim como na safra 2014/15, devido à conversão de áreas de pastagem para áreas de cultivo de soja, reforçam os analistas. Com grande parte dos insumos da temporada 2015/16 ainda não adquiridos pelos produtores, as incertezas em torno dos investimentos em tecnologia, além de clima também incerto para a próxima temporada, limitam projeções com relação aos rendimentos a campo da nova safra e por isso, a produtividade foi mantida a mesma da temporada atual, em 51,9 sacas por hectare. Considerando a nova projeção espacial e a mesma produtividade, a produção da temporada 2015/16, nesta primeira intenção de safra, sofreu influência apenas do incremento da área. A projeção inicial aponta para uma produção de 28,37 milhões de toneladas, representando um aumento de apenas 498 mil toneladas. Cabe salientar que esta primeira projeção representa o sentimento inicial do mercado, notando-se que por mais uma safra poderá haver incremento de área no Estado. Apesar disso, como grande parte dos produtores ainda não adquiriu os seus insumos, os dados da próxima safra estão sujeitados a alterações até a consolidação da safra, observam. MERCADO - A comercialização da soja 2014/15, em maio, apresentou um avanço mais tímido, cerca de 5%, do que o observado nos últimos meses. A pequena desaceleração no ritmo de negociações fundamenta-se, principalmente, no leve recuo do preço disponível, que passou de R$ 53,89/sc em abril para R$ 53,22/sc em maio. As vendas da safra 15/16, em contrapartida, apresentaram um cenário bastante distinto. Os preços a termo da soja (sobretudo para mar/16) apresentaram média em maio de R$ 51,51/sc, conseguindo estimular as vendas da próxima safra, que registraram volume negociado de 2,07 milhões de toneladas em maio, levando a comercialização a atingir 7,3%. Como no mesmo período de 2014 os preços futuros estavam bem inferiores, as vendas da safra 2014/15 só deram início em junho. Assim, o preço foi o fator-chave para as negociações de maio, conseguindo estimular a venda futura, mas freando o ritmo das vendas no mercado spot (negociações realizadas com pagamento à vista e entrega imediata).