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ECONOMIA
Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010, 21h:07

SAFRA 10/11

Liberações do BB encolhem

Para o Banco do Brasil, as indefinições de mercado retardaram demanda. Para produtores, são as restrições que inibem acesso

MARIANNA PERES
Da Editoria
Os recursos disponibilizados pelo Banco do Brasil, em Mato Grosso, no período de pico para o segmento agrícola, encolheram cerca de 17% no comparativo entre o acumulado de julho a outubro de 2009 contra 2010. Conforme números apresentados ontem, as operações de custeio, investimento e comercialização (crédito agrícola) no período em análise demandaram liberações de R$ 652 milhões, contra R$ 786 milhões, em igual período do ano passado. No entanto, a expectativa do Banco em Mato Grosso é de recuperar o ritmo de expansão do crédito dos anos anteriores (média de 20%), até o final do ano. Como explica o gerente de mercado de agronegócios da Superintendência de Varejo e Governo de Mato Grosso, Anderson Scorsafava, a retração é pontual e reflete as adversidades que o produtor encontrou neste início de safra: os efeitos do La Niña - que retardaram o início da safra 10/11 no Estado em função da forte estiagem e depois com a irregularidade das precipitações. Nesta conjuntura há também fortes interferências relativas às questões ambientais que, quando não retardam os investimentos, os afugentam. “Neste mês, houve uma maior procura por parte do produtor e o próprio Banco agilizou os processos de análises. Acredito que no fechamento deste mês veremos a evolução e creio que ainda neste ano tenhamos liberações acima do realizado em 2009”. Ainda segundo Scorsafava, a partir de setembro, o Banco massificou suas linhas de crédito, o que, junto com a nova configuração de mercado e do clima, contribuiu para provocar a demanda. “Além do crédito oficial a juros controlados, há recursos via Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, o FCO, como também uma nova linha com juros não-controlados, porém competitivos, principalmente quando comparados às tradings. Fora isso, revitalizamos a Cédula de Produto Rural (CPR)”. No ciclo 08/09, terminado em 30 de junho de 2009, o Banco disponibilizou entre todas as operações agrícolas no Estado R$ 1,35 bilhão. Na temporada 09/10, cujo ciclo foi completado em 30 de junho deste ano, foram injetados R$ 1,88 bilhão que, somados às operações específicas de pré-custeio de R$ 252 milhões, elevaram as liberações para R$ 2,13 bilhões. APROSOJA – O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, não concorda com a explicação do Banco. Para ele, a redução é reflexo da seletividade na hora de aprovar o crédito. “Nada tem a ver com indecisões do clima. O produtor sabe que vai plantar e tem de se planejar. E para isso, vai atrás de recursos, muito antes do início do plantio, para aquisição dos insumos e não encontra recursos públicos disponíveis. O dinheiro não pode ser liberado apenas a partir de agosto”. Glauber destaca também que conforme avança o número de renegociações o nível de risco do produtor aumenta e ele fica impedido de acessar novos financiamentos, conforme determina regulamentação do Banco Central, “e sem dúvida isso faz reduzir o volume de liberações”. O coordenador-geral de Análises Econômicas da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Marcelo Fernandes Guimarães, disse que de fato os mato-grossenses enfrentam dificuldades adicionais na tomada de crédito em função do endividamento, mas ele acredita que superados problemas climáticos e com as posições de mercado mais firmes houve maior procura por crédito de outubro em diante e que o balanço de liberações poderá ser positivo. “Acredito que com a expansão das cotações da soja e do algodão, especialmente, haverá fôlego para o produtor mato-grossense recuperar crédito a partir de 2011”. BANCO - Questionado se a redução de recursos no período de pico ao segmento no Estado não seria reflexo de um arrocho na política de análise de crédito, em função do nível de endividamento, o gerente de Agronegócios frisa que a redução reflete as questões pontuais já citadas. “O Banco está oferecendo novas linhas para que o produtor possa segurar sua produção e aproveitar melhor as boas cotações do mercado internacional”. Scorsafava conta que na linha com juros não- controlados o Banco oferta taxas que variam - conforme prazos de vencimento (de 1 a 540 dias) e os riscos da operação – de 10.84% a 15.65% ao ano. “Essa linha nasce competitiva, em relação a uma trading. Há mais burocracia, porém o produtor fica livre para negociar sua produção no período que melhor que lhe convier, diferente do que ocorre junto às multinacionais”. Ele reforça que o Banco está adotando estratégias mais ousadas de mercado para ampliar sua participação no agronegócio. “O Banco vem para conquistar mais espaço. Esta estrutura totalmente voltada ao produtor rural é um caminho sem volta já estabelecido pela direção geral”.

Edição EDIÇÃO 16963




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