ECONOMIA
Quarta-feira, 20 de Junho de 2007, 22h:00
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MERCADO EXTERIOR
Importação cresce 190%
Farra do dólar eleva compras mato-grossenses e pauta perde R$ 340 milhões entre maio de 2006 e maio de 2007
MARIANNA PERES
Da Editoria
As importações mato-grossenses atingiram em maio o maior volume de negócios desde o início deste ano. Num desempenho crescente, na casa dos 100%, as compras atingiram incremento de 190,58% no último mês, em comparação ao realizado em maio de 2006, passando de US$ 94,03 milhões para US$ 273,38 milhões. Foram US$ 180 milhões aplicados a mais na aquisição de insumos e maquinários. É o resultado da farra do dólar, exclama o assessor econômico da Fiemt, Carlos Vitor Timo. O acumulado deste ano já representa mais de 48% do exercício 2006 que fechou o volume de aquisições em US$ 406,51 milhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado (CIN/Fiemt). A desvalorização cambial de 8,76% nos últimos doze meses (maio/06 a maio/07) impôs à pauta estadual uma perda de R$ 340 milhões. Cifras que representam o que o Estado deixou de ganhar neste período em que a moeda norte-americana passou de R$ 2,17 em maio de 2006, para R$ 1,98 em maio de 2007, explica Timo. Ele observa ainda que comparando o avanço de 8,83% no volume das exportações no mesmo período e convertendo o saldo em reais, o desempenho é praticamente nulo. Enquanto as importações registram este salto, as exportações estaduais ensaiam um tímido crescimento. As vendas em maio somaram US$ 464,05 milhões, contra US$ 338,79 milhões em igual período do ano passado, variação positiva de 36,97%. Já o acumulado dos cinco primeiros meses revela alta de 8,83% na comparação entre os mesmos períodos. Estamos reagindo, mesmo que em ritmo menor, observa o assessor da Fiemt. As vendas externas somam atualmente US$ 1,906 bilhão. O acumulado entre janeiro e maio de 2006 era de US$ 1,751 bilhão, crescimento de 8,83%. Com um volume de compras muito acima do volume de vendas, a balança comercial manteve sua tendência negativa e fechou os cinco primeiros meses de 2007 em 1,49%. Timo destaca que o avanço das importações não é prejudicial ao Estado. Aliás, falta muito para que haja equilíbrio. Se hoje o Estado comercializa mais de US$ 1 bilhão, as compras deveriam somar algo em torno de US$ 500 milhões. Ao contrário do que parece, o incremento das importações, no caso de Mato Grosso, é positivo. É bom porque estamos comprando mais insumos. Ampliando e investindo no nosso processo produtivo. Isso, vai nos proporcionar competitividade e vai, mais a frente, incrementar nossas exportações, com produtos de maior valor agregado. Para Mato Grosso as importações são sinônimos de investimentos no parque industrial, defende. PRODUTOS Mais uma vez as maiores altas são registradas nos insumos destinados à agropecuária, como por exemplo, o cloreto de potássio (302%), superfosfato (990%), fosfato (230%) e outros. Já, alguns produtos passaram a ser registrados pela primeira vez, como, confecções, contêineres, máquinas e aparelhos para preparar carnes, máquinas off set e equipamentos para empacotamento. A pauta registra alta de 149% na importação de pneus novos para ônibus e caminhões e de zinco (957%). Entre os principais mercados exportadores ao Estado estão a Rússia com participação de 24%, incremento de 186% em comparação aos volumes realizados entre os cinco primeiros meses de 2007 com 2006, Canadá, Argentina, Belarus, Alemanha e Estados Unidos, todos com negociações acima de US$ 15 milhões. PORTO SECO Timo lembra que condições diferenciadas ofertadas pelo governo estadual para quem opta por utilizar a Estação Aduaneira do Interior (EADI), mais conhecida como Porto Seco, tem feito a diferença e tem servido de porta de entrada para produtos adquiridos por importadores de outros estados. Os benefícios prevêem redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de até 83,33% para produtos que não tenham similares produzidos em Mato Grosso. Neste ano a EADI já recebeu máquinas industriais, motocicletas, colheitadeiras de algodão e equipamentos para indústria de curtume, madeira, beneficiamento de algodão e frigoríficos.