ECONOMIA
Sábado, 26 de Abril de 2008, 13h:58
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DESCOMPASSO?
Estoques industriais desmentem Copom
Os últimos dados da indústria mostram que os investimentos realizados no ano passado começam a maturar e que os estoques estão em níveis suficientes para atender aos níveis atuais da demanda. As informações dos últimos indicadores que captam o comportamento dos estoques e a opinião de alguns economistas contradizem uma afirmação inserida na da ata do Copom divulgada na última quinta-feira sobre "a persistência de eventuais descompassos entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregada", que tenderia a "aumentar o risco para a inflação". Segundo economistas da indústria, com a visível maturação dos investimentos realizados no ano passado para ampliar a capacidade produtiva, tanto o nível de utilização da capacidade instalada quanto o de estoques tendem a se acomodar. O indicador de uso da capacidade instalada da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, recuou para 82,9% em fevereiro de 83,1% em janeiro. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que a alta nos preços dos alimentos afete a demanda por produtos industriais, já que tende a diminuir o apetite por financiamentos. "Esperamos uma acomodação do crescimento da atividade industrial nos próximos meses", afirmou o gerente do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo. Na pesquisa Sensor Fiesp de março, o indicador de estoques ficou em 50,5 pontos, o melhor nível desde o início da pesquisa, em junho de 2006. Em fevereiro, eram 48,6 pontos, indicando um patamar mais apertado de estoques. A Sondagem da Indústria de Transformação da FGV também mostrou que os estoques não estão pressionados. Em outubro do ano passado, o nível de estoques estava em 104 pontos, o que indicava estoques insuficientes. Em março, caiu para 100 pontos, mostrando aumento dos estoques - trata-se de um recuo considerável, tendo em vista que o indicador é um dos que menos oscila em toda a Sondagem. O componente estoques do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Banco Real também recuou, de 49,5 pontos em fevereiro para 48,5 em março, nível semelhante ao de dezembro, quando os estoques normalmente são mais baixos. "Os dados mostram que não há qualquer ameaça à inflação e que a atividade responde à demanda", disse Rebelo. "Apenas se os estoques estivessem menores é que se poderia pensar em escassez de produtos", completou. Na avaliação do coordenador da Sondagem da FGV, Aloísio Campelo, os empresários aproveitaram o fim do ano para fazer ajustes. "Isso é algo virtuoso e reflete a maturação dos investimentos. É um sinal de equilíbrio", ressaltou. De fato, afirmam os economistas, o Nuci tende a se acomodar, ainda que em níveis altos. Ao mesmo tempo, a indústria continua a investir, conforme mostram os dados de consumo aparente de máquinas e equipamentos (produção nacional mais importações e menos exportações). Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o indicador cresceu 15,6% no primeiro semestre de 2004; 20% no segundo semestre; e 27% no primeiro bimestre de 2008. "A análise dos indicadores de estoques e de investimentos sinaliza que a oferta acompanha a demanda", disse o gerente de Pesquisas e Desenvolvimento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. Ele ressaltou que uma pesquisa da CNI de outubro do ano passado já mostrava investimento industrial em ritmo adequado para atender a oferta. "Um investimento que está maturando", completou.