ECONOMIA
Sexta-feira, 09 de Maio de 2008, 21h:11
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CIMENTO
Escassez eleva preço
Parada temporária na produção da Votorantim, em Nobres (MT), por uma semana, reduziu estoques e elevou cotação em até 38%
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Pela segunda vez em menos de um ano, os preços do cimento voltaram a disparar e o produto novamente se torna um item em escassez no mercado local. Na maioria das lojas que comercializa materiais para construção em Cuiabá já não é possível encontrar o insumo, considerado item essencial da cesta básica da construção civil. As poucas lojas que ainda tinham o produto decidiram aumentar o preço em até 38% em relação aos valores que vigoraram até a semana passada. Não há o produto na região e estamos sendo obrigados a comprá-lo em outros estados, justifica o vendedor de uma grande empresa do segmento de materiais para construção de Cuiabá. Desta vez o problema não é de mercado, como ocorreu no ano passado. As informações que temos é de que a fábrica de Cimento Itaú, localizada em Nobres (146 quilômetros ao médio norte de Cuiabá), teve problemas no forno no começo deste mês e interrompeu a produção, explicou o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado (Sinduscon), Luiz Carlos Richter Fernandes. O problema do desabastecimento é mais sério no interior, onde algumas obras chegaram a ficar paralisadas temporariamente. No mercado a alta de uma semana para a outra varia entre 36,09% até 38,72%. Em média, a saca de 50 quilos passou de valores entre R$ 15 e R$ 17 para cotações entre R$ 21 e R$ 24. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Votorantim Cimentos informa que a fábrica de Nobres teve sua produção parada na última semana devido à manutenção não prevista de fornos. A fabricação interrompida por uma semana, foi normalizada na última quinta-feira. A comercialização do cimento Itaú produzido a partir desta unidade estará plenamente regularizada até o dia 12, próxima segunda-feira. A fábrica confirmou na tarde de ontem que ainda na sexta-feira o reabastecimento do mercado revendedor do Estado. A empresa salienta, ainda por meio da nota, que a pausa na produção não afetou os preços do produto oferecido ao mercado, por parte da indústria. A assessoria frisa ainda, que a marca não é a única encontrada no mercado local, que também é abastecido por outras marcas e grupos. Já o presidente do Sinduscon/MT informou que 90% do mercado consumidor da Grande Cuiabá está sendo supridas pelo cimento da Votorantim. Quando a indústria tem algum problema no seu processo de produção, todo o mercado entra em colapso porque as lojas praticamente ficam sem opção de compra para repor o estoque e suprir os clientes na quantidade desejada, disse ele. Desta vez, segundo o presidente do Sinduscon, as grandes obras não chegaram a ficar paralisadas e a expectativa é de que a situação se normalize a partir da próxima semana. O que pode ter havido é apenas uma diminuição no ritmo das obras, pois as grandes construtoras trabalham com estoque e fazem o planejamento para não ter problemas na frente. Outro fator que acirrou a corrida ao insumo foi o efeito psicológico. Tendo acesso à informação antecipada de que a fábrica suspenderia a produção por um período limitado, grandes empresas do segmento revendedor, principalmente da Capital, aumentaram os volumes de seus pedidos, comportamento que afetou os estoques da indústria. ESCASSEZ Com a escassez de cimento no mercado, as lojas que ainda têm alguma sobra do produto estão sendo obrigadas a atender de acordo com a média de consumo dos clientes nos últimos meses. A grande maioria, entretanto, está sem o produto desde o começo da semana, disse ontem uma fonte da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Mato Grosso. O presidente da entidade, Antônio de Arruda, não foi localizado ontem pelo Diário para falar sobre o assunto. Esta é a segunda crise de abastecimento de cimento em menos de um ano em Mato Grosso. No segundo semestre de 2007 houve falta do produto no mercado e muitas obras chegaram a ficar paralisadas. Até mesmo obras públicas tiveram seu ritmo reduzido e foram entregues com atraso porque não havia cimento em quantidade suficiente para atender os projetos civis. Com isso, o atendimento ficou por conta apenas do Grupo Votorantim (Itaú), em Nobres, e Camargo Corrêa, de Corumbá (MS), que fabrica o Cimento Cauê. (Colaborou Marianna Peres)