Controlador do Grupo Guimarães, o empresário e produtor Orcival Guimarães aponta a volatilidade do câmbio, as altas taxas de juro e a falta de crédito como os principais vilões da crise que levou o conglomerado a pedir recuperação judicial. As cinco empresas do grupo, com atuação nas áreas de produção, comercialização e transformação e comércio de produtos agropecuários, enfrentavam também problemas de logística, elevados custos de produção e inadimplência de clientes. Foi uma somatória de fatores que culminou nesta situação de extrema crise. Não havia mais a quem recorrer e a saída foi pedir a recuperação para honrar os compromissos. Também tenho minha parcela de culpa, pois investi muito e acreditei no mercado em um momento em que havia crédito. Depois ficou tudo difícil. Os juros saltaram para índices estratosféricos, os custos de produção aumentaram e os bancos saíram do mercado. Não tivemos outra alternativa, ponderou Guimarães. Ele conta que aqueles que mais empreenderem, investiram e acreditaram no agronegócio foram os mais penalizados. O que aconteceu comigo foi uma fatalidade. Investi muito e sofri demais com as oscilações do câmbio, altas taxas de juros, inadimplência e custos de produção elevados. Ficamos vulneráveis. Na avaliação do empresário, a recuperação judicial foi a medida mais sensata que poderia tomar. Quero deixar claro que recorri a esta medida para me reorganizar, continuar trabalhando e gerando empregos. Quero pagar todos a quem devo. Porém, daqui para frente vou trabalhar mais com os pés no chão. Não importa o tamanho que vou ficar, o importante é que vou saldar minhas dívidas e continuar no mercado. Para tanto, Guimarães diz que precisa dos parceiros e das pessoas que nele acreditaram. Se me abandonarem neste momento, ficará mais difícil para eu quitar minhas dívidas. Quero provar ao mercado o mais rápido possível que temos condições de zerar este passivo. Tenho apoio dos fornecedores e de pessoas que me conhecem até mesmo fora de Mato Grosso. (MM)