ECONOMIA
Sábado, 10 de Agosto de 2013, 13h:00
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SENEPOL, WAGIU E NELORE
Dia de Campo aponta benefícios da diversificação racial
O investimento em genética, animais diferenciados e cruzamento, é uma das tendências dentro da pecuária de corte e o retorno é garantido para quem tem a oportunidade de adequar seu rebanho para um melhor rendimento e menor custo. Um exemplo disso pôde ser conferido durante o Dia de Campo Fazenda Vitória Régia, no município de Castanheira (779 quilômetros ao norte de Mato Grosso), realizado no último dia 8, quando 40 touros das raças senepol, wagiu e nelore foram comercializados após um ciclo de palestras. A iniciativa de melhorar a qualidade do rebanho surgiu há algum tempo, mas os trabalhos se concretizaram há quatro anos, conta o pecuarista Jorge Basílio, proprietário da Vitória Régia. A experiência surgiu com o wagiu, raça de origem asiática que produz a carne que é considerada a melhor do mundo. Devido ao marmoreio (gordura entremeada na carne), a demanda pelos cortes tem crescido em muitos países, inclusive no Brasil e, assim, o preço tem acompanhado. Comercializei meu primeiro lote este ano e conseguimos vender a um frigorífico de São Paulo por R$ 200 a arroba, revela Jorge Basílio. O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, ressalta que o caso do pecuarista Jorge Basílio deve servir de exemplo para uma pecuária profissional e que dá certo. Temos de mostrar que a pecuária de corte pode ser lucrativa e moderna. O que precisamos é de linhas de crédito que possibilitem o investimento para o melhoramento genético. O médico veterinário Alexandre Zadra explica que a diversificação de raças na produção animal é fundamental quando se procura atender mercados diversos e na pecuária de corte nacional não é diferente, com a introdução de raças tropicais com características importantes voltadas a maior produção de carne em menos tempo. A entrada de raças não zebuínas no Brasil visa à venda de reprodutores que atendam aos criadores no repasse da Inseminação Artificial (IA), no repasse dessas vacas ou mesmo para trabalhar em rebanhos que não tem condições de inseminar. Mas alcançar este feito não é da noite para o dia. O pecuarista revela que o investimento é alto e é preciso acompanhamento técnico para atingir os resultados. Além do wagiu, Basílio também é criador da raça senepol, que é recente no Estado, mas tem ganhado adeptos devido à rusticidade e precocidade. O senepol ganha peso mais rápido e a fêmea atinge a maturidade mais cedo também. Com isso, o gado fica menos tempo até começar a trazer lucro para a propriedade. Zadra explica que o investimento em sêmen e touros taurinos adaptados para fazer o cruzamento com as matrizes zebuínas aumenta a lucratividade simplesmente por aumentar o desfrute do rebanho (quantidade de carne produzida dividido pela quantidade de carne estocada) e pela rapidez no abate dos animais cruzados. No Dia de Campo realizado, 29 touros senepol foram vendidos, sendo que os P.O. (Pura Origem) por uma média de R$ 7.500 e os P.C. (Cruzamento) por uma média de R$ 5.500 cada. O retorno do investimento é certo. O veterinário explica que, assim como a agricultura utiliza sementes selecionadas e adaptadas aos diversos solos, o pecuarista profissional vem lançando mão do uso da genética selecionada, adquirindo sêmen de touros superiores e reprodutores que venham de programas de seleção sérios. A tendência é o aumento da comercialização dessa genética de qualidade para junto com o nelore como matriz, produzir animais mais jovens ao abate e com melhor qualidade de carne. Além da comercialização de animais, o Dia de Campo é uma atividade promovida pelas propriedades rurais para realização de palestras, orientações e apresentação de produtos. Na fazenda Vitória Régia, 450 produtores rurais puderam participar de três apresentações técnicas, sobre nutrição animal, genética e também sobre prevenção e combate a incêndios. Zadra, um dos palestrantes, ressalta que este novo pecuarista é capitalizado, possui infraestrutura, pastos e mão de obra já como rotina na fazenda.