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ECONOMIA
Sábado, 24 de Maio de 2008, 13h:46

NOVA CRISE - II

Desmatamento foi menor que expansão

Apesar da área total da Amazônia Legal representar 61% do território nacional, encontra-se na região apenas 35% do rebanho bovino nacional

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Estudos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) indicam que se os produtores mantivessem a mesma produtividade de soja obtida na safra 1984/85 (2,08 toneladas por hectare), quando foram plantados no Estado 795 mil hectares, hoje estariam sendo utilizados mais de 8,5 milhões de hectares. “No entanto, são utilizados apenas 5,6 milhões de hectares, uma diferença de mais de 2,9 milhões de hectares que consideramos desmatamento evitado por ganho de produtividade”, salienta o estudo. Apesar da área total da Amazônia Legal representar 61% do território nacional, encontra-se na região apenas 35% do rebanho bovino nacional. “Portanto, além de se considerar a importância desta atividade econômica para o Brasil, a bovinocultura de corte não pode ser considerada uma atividade predadora ambiental, considerando que as demais regiões brasileiras, com uma área equivalente a 39% do território nacional, abrigam 65% do rebanho brasileiro”. “Levando-se em conta a produção pecuária do Estado de Mato Grosso com um rebanho bovino de aproximadamente 26 milhões de cabeças e a produção da agricultura também extraordinariamente maior da região, equivalendo a mais de quatro vezes a de todos os demais estados, deve-se depreender que Mato Grosso não pode ter o mesmo tratamento dos demais estados da Amazônia Legal”, afirma o documento da Famato. DEPENDÊNCIA - Na avaliação da Famato as restrições impostas pelo governo federal já ocasionaram um dano “real e concreto” com repercussão sobre a atividade econômica dos produtores rurais. “É notório como o produtor rural, em sua totalidade, depende do crédito rural para o exercício de sua atividade econômica. É uma contingência de nossa realidade que se notabiliza pela crônica falta de capital de giro, aliás, uma peculiaridade da atividade agrícola que exige pesados investimentos e altos custos enquanto a receita se concentra em um único momento no ano, quando da comercialização da safra”, salienta o presidente da Famato, Rui Ottoni do Prado. Segundo ele, nessas condições, vedado o acesso ao crédito rural, não há como o produtor preparar a terra, semear a lavoura, custear os tratos culturais e efetivar a colheita. “Ficaríamos impedidos de produzir”, adverte. Ele diz que nesse contexto é evidente a existência de risco de dano patrimonial de difícil ou incerta reparação, com graves repercussões até mesmo na produção de alimentos, afetando a segurança alimentar do país e agravando a crise de alimentos já observada pelas principais autoridade mundiais. ÁREA INDÍGENA – A Famato defende a criação e aprovação de instrumentos legais para que nos casos de expansão das reservas indígenas, os projetos sejam submetidos ao Congresso. Os produtores entendem que a questão fundiária se constitui em mais um dos grandes problemas enfrentados pelos proprietários rurais do Estado. “Se continuarem as criações de novas reservas indígenas, haverá municípios que estarão em situação crítica, alguns não ficarão com mais do que 6% de sua área atual, e o Estado terá uma perda de mais de 26% do total de sua área, pois estará inviabilizada para a atividade econômica”. Segundo estudos da Famato, até 1992, somente 2,6% do território estadual eram considerados área indígena. De 1992 a 1995, houve um acréscimo de 19% e já existe um pleito de mais de 3,6% (três milhões de hectares) para expansão ou criação de novas áreas. Se esse pleito for atendido, mais de 26% da área do Estado será convertida em área indígena.

Edição EDIÇÃO 16967




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