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ECONOMIA
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007, 20h:30

GIRASSOL

Cultura ganha destaque na região sul do Estado

Oleaginosa é mais uma afetada beneficamente pela explosão do biodiesel no Estado

ANELIZE MORENO
Da Reportagem/Rondonópolis
Nesta safra, o cultivo do girassol desponta como uma alternativa de renda aos produtores rurais das cidades próximas a Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). A previsão é de que em um raio de 100 quilômetros a oleaginosa ocupe cerca de 20 mil hectares, o que vai significar a produção de aproximadamente 33 mil toneladas. Até o último ano agrícola, a planta não era cultivada na região. Para a safra 07/08, a cultura deverá atingir em torno de 40 mil hectares. O responsável pela área de sementes da Prospecta Assessoria e Consultoria, Vilmar Beck, destaca que a ascensão do biodiesel fez do girassol uma cultura rentável, abrindo mercado para o consumo da oleaginosa. Segundo ele, os produtores podem cultivar atualmente a planta com a garantia de que irão comercializar a produção. A maioria das vendas de girassol é casada, ou seja, o produtor adquire a semente e já assina um contrato futuro se comprometendo a vender a produção. Segundo Beck, a principal compradora do grão em atividade no mercado é a esmagadora nordestina Brasil Ecodiesel. “Muitos produtores já conhecem o girassol mas não estão plantando, porque antes não havia mercado para a cultura”, avalia. Além da rentabilidade, a grande vantagem do girassol é que a planta pode ser cultivada sem que as lavouras de soja sejam abandonadas. Isto porque a oleaginosa é produzida durante a safrinha – após a colheita da soja. Dessa maneira, o girassol se posiciona como uma opção ao plantio da safra de inverno de milho. “Hoje, a oleaginosa é mais rentável que o milho”, garante. Em média, o produtor que optar pelo girassol deverá ganhar R$ 278 por hectare nesta safra. O cálculo leva em consideração um custo de aproximadamente R$ 450 e uma produtividade de 28 sacas por hectare. No mercado futuro - preços para agosto, época da colheita da planta -, as cotações estão oscilando entre R$ 25 e R$ 27 a saca de 60 quilos. Nesta entressafra, a saca está cotada em R$ 26. Na opinião de Beck, outro atrativo do girassol é o fato de ser uma planta que tolera a seca. Por isso, o cultivo é interessante para a safrinha, quando há pouca ocorrência de chuvas no cerrado. Diferente, por exemplo, do milho, que com a falta de umidade pode sofrer quebra na produtividade. Além disso, o milho fica mais vulnerável à ocorrência de pragas como a lagarta do cartucho, o que eleva os gastos com inseticidas. Beck diz ainda que o girassol recicla os nutriente do solo, proporcionado uma economia de em média 30% na aplicação de fertilizantes no solo para o cultivo da próxima safra de verão de soja e milho. Ele também explica que a colheita do girassol pode ser feita com a mesma plataforma usada para a retirada do milho. “A colheitadeira é a empregada para a soja. Só é preciso mudar a plataforma”. A cultura, plantada após a colheita da soja garante ainda maior controle de doenças, como é o caso dos nematóides. O girassol também é uma planta de fácil manejo e que não demanda grande volume de herbicidas e inseticidas. “É uma cultura nova, por isso ainda não atraiu as pragas”, frisa Beck. MEL – Além dos grandes produtores, os pequenos também podem ser beneficiados com o plantio do girassol. Nas pequenas propriedades, a rentabilidade média de R$ 278 por hectare pode ter incremento de R$ 300 por hectare se a lavoura da oleaginosa for associada à produção de mel. A formação de um apiário rende em média 30 quilos de mel por mês. O melado pode ser vendido por R$ 10 o quilo. “É uma fonte a mais de renda para os agricultores familiares”, observa Beck. EVENTO - Na próxima semana, a Prospecta Assessoria e Consultoria vai promover um encontro para discutir a produção do girassol. O evento, ainda sem data definida, vai acontecer em Rondonópolis e deve contar com a presença de grandes produtores da região. O objetivo é reunir o maior número possível de agricultores interessados em cultivar a planta ainda nesta safra. O plantio da oleaginosa deve ser feito até o fim da primeira quinzena de março.

Edição EDIÇÃO 16967




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