A crise financeira mundial está deixando os compradores de terra com um pé atrás. De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) e a Associação de Proprietários Rurais (APR/MT), os negócios estão praticamente parados desde o final de 2008, por conta das indefinições e incertezas desta safra. Não estamos vendo negócios. Os compradores sumiram, diz o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira. De acordo com os analistas, a movimentação de compra e venda de terras é esperada para após o término da colheita, no mês de abril. Eles acreditam que no momento em que a safra for colhida e os prejuízos consolidados, esse mercado vai se aquecer com muitos produtores, sobretudo do Centro-Oeste, se desfazendo de suas terras para quitar débitos. Na opinião de Glauber Silveira, o movimento está parado também em função das medidas de restrição ambiental. É uma coisa ruim e um equívoco. Mato Grosso está dentro da lei, os produtores estão dentro da lei. Só desmatamos o que é permitido. O problema é que as leis ambientais foram sendo alteradas e o que valia lá atrás, hoje não vale mais". Ele aponta também que o Estado tem mais de 8 milhões de hectares cultivados pela agricultura e que essa área poderia praticamente dobrar dentro da legalidade. De qualquer forma, Silveira destaca não ser intenção do produtor abrir mais áreas novas para aumentar a produção. ÁREAS ABERTAS - O presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, lembra que Mato Grosso tem 61% de sua área ainda preservada. O nosso objetivo não é aumentar área, mas trabalhar as já abertas e melhorar a infra-estrutura, afirma ele. Por isso, Glauber acredita que a tendência é a valorização das terras abertas. As áreas de fronteira apresentam problemas, como as dificuldades para se conseguir licenças ambientais e os altos custos de produção, explica.(MM)