ECONOMIA
Terça-feira, 24 de Abril de 2012, 20h:04
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BOI GORDO
Cotação da arroba recua 8%, mas no varejo cai apenas 5%
Boi gordo de MT está mais barato quando comparado com vizinhos
MARIANNA PERES
Da Editoria
A cotação da arroba do boi gordo, em Mato Grosso, encolheu 8,43% na comparação com as médias obtidas em abril deste ano ante igual período do ano passado. O indicador do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que o preço pago pelo boi gordo ao produtor passou de R$ 91,53 para atuais R$ 83,81. A redução, que basicamente se explica pela oferta que segue na contramão do observado no Brasil foi observada no preço médio do corte bovino no varejo, mas em proporção bem menor, de apenas 5,2%. Como destaca o analista Carlos Ivan Garcia, do Imea, o abismo entre os preços da carne bovina é ainda maior. Estamos comparando a desvalorização anual da arroba com a queda do varejo neste trimestre, aponta. Como explica, o Imea reformulou a metodologia de coleta de dados para o varejo e deu início a uma nova série de preços neste ano. De janeiro a março, o preço médio do quilo do corte bovino passou de R$ 13,79 para R$ 13,07. Nesta sondagem de preços, os cortes com as maiores reduções foram percebidos na maminha, com queda de 24,9%, passando de R$ 25,89/quilo para R$ 19,46/quilo e o filé mignon que está 24,3% mais barato, ao sair de uma média de R$ 36,09/quilo em janeiro para atuais R$ 27,32/quilo. Apesar do recuo nos preços médios do quilo, o Imea destaca que cortes mais populares como acém e músculo estão em trajetória de alta. Somente de fevereiro para março, o quilo médio do acém aumentou 22,5%, passando de R$ 8,73 a R$ 10,69, e o músculo teve os preços de R$ 9,74 em janeiro, R$ 9,41 em fevereiro e de R$ 10,21 em março, alta acumulada de 8,5% ou mensal de 4,8%. 8,5%. PRESSÃO - A arroba do boi gordo, em Mato Grosso, não está desvalorizada apenas na comparação anual interna, está abaixo do que foi registrado em praças vizinhas, como Rondônia e Tocantins, nas primeiras semanas deste mês. O indicador do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostra que neste mês o Estado registrou em média R$ 83,81 pela arroba, enquanto que Rondônia e Tocantins tiveram R$ 87 e R$ 85,27, respectivamente. O comportamento chama a atenção, como frisa Garcia, pelo menos no curto prazo, já que essas praças semelhantes à de Mato Grosso são locais que tradicionalmente exibem preços pouco inferiores ao do Estado que detém o maior rebanho de bovinos do país com 29 milhões de cabeças. O analista explica que a desvalorização anual assim como a relativa aos vizinhos, reflete a oferta de animais. Mato Grosso fechou o ano de 2011 na contramão do Brasil. O Estado ampliou em 9,6% o número de animais abatidos, enquanto o Brasil recuou 1,6%, movimento percebido em todos os grandes estados produtores. A exceção foi Goiás, que também incrementou o abate, mas em apenas 3,4%. Para Garcia, a oferta é o grande fundamento econômico que explica o atual momento. Inchamos as escalas dos frigoríficos com fêmeas, ampliamos nosso abate desta maneira. Garcia completa dizendo que a pressão de baixa no preço pago pela arroba do boi gordo, iniciada no ano passado, se intensificou com a baixa em relação às praças vizinhas. Com isso, aumentam os questionamentos acerca da atenção quanto ao movimento de concentração do mercado frigorífico em algumas regiões de Mato Grosso e seus efeitos na cadeia. Desde 2009 o segmento industrial enfrenta problemas e muitas unidades foram desativadas ou incorporadas por grandes grupos e isso, para o pecuarista, explica a pressão contínua sobre a arroba. Atualmente, dos 40 frigoríficos cadastrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) aptos a exportar - apenas 24 estão funcionando, o que corresponde 40% da capacidade de abate de Mato Grosso comprometida com o fechamento de 16 unidades que enfrentam processos judiciais desde 2008. Essa situação provoca maior estrago nas regiões nordeste e noroeste, onde existem poucas plantas frigoríficas e as existentes pertencem a um mesmo grupo, frisa o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari. ESTUDO - No ano passado, a Acrimat avaliou pela primeira vez o impacto da concentração das indústrias frigoríficas na pecuária mato-grossense. Entre as conclusões pontuais relativas ao comportamento das cotações da arroba no ano passado, o estudo mostrou que a evolução nos preços dos três elos da cadeia produtiva da carne nos últimos seis anos. Os preços do atacado e da arroba caminharam juntos nos últimos anos, mas o atacado subiu mais que a arroba em 2011, disse Vacari. Enquanto o preço da arroba cresceu 76,52% de 2005 para 2011, no atacado aumentou 85,12%, com o varejo liderando o aumento de preços chegando a 125,32% no início de agosto do ano passado, quando os dados foram apresentados.