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ECONOMIA
Sábado, 28 de Março de 2009, 12h:39

AVIAÇÃO REGIONAL

Corte na alíquota não reduz tarifa

Iniciativa inédita de MT gera ciúmes na Federação, demanda esforços dos técnicos do Estado e expectativa de preços menores e fomento do turismo e negócios

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A redução de 25% para 12,5% na alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para combustível da aviação regional, uma determinação do governador Blairo Maggi, tem entre outros objetivos, reduzir os custos operacionais do setor, permitir mais lucro para as empresas aéreas e menos gastos ao passageiro. Mas, os usuários, aqueles que pagam caro para viajar nas rotas intrarregionais do Estado, não estão sendo beneficiados pela medida. No aeroporto internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, os passageiros reclamam dos preços das tarifas cobradas pelas duas empresas que fazem voos regionais, a Cruiser e a Trip Linhas Aéreas. A tarifa para Juína e Aripuanã, por exemplo, chega a custar mais do que o dobro de uma passagem para Brasília, que fica bem mais distante de Cuiabá. Enquanto uma passagem para Brasília, pela TAM, é vendida por R$ 225, a tarifa em vigência para Juína é de R$ 562 e para Aripuanã, R$ 604, esta última chegando a valer mais do que três bilhetes emitidos para Campo Grande (MS), R$ 175, pela mesma companhia aérea. “Os preços realmente estão acima da nossa realidade e assustam a qualquer um”, critica Maurício Pasini, que viaja periodicamente para a região norte do Estado e necessita do transporte aéreo para resolver seus negócios. Ele diz que outras cidades de Mato Grosso também estão com preços ‘salgados’. É o caso de Juara, onde o preço de uma passagem chega a custar R$ 512. Juara (709 quilômetros ao médio norte de Cuiabá), Juína (735 Km) e Aripuanã (1.032 km), ambas na região noroeste, são assistidas pela Cruiser. A Trip tem atuação em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), Sinop (500 Km ao norte) e Alta Floresta (803 Km ao norte). Até a semana passada, para Rondonópolis, a empresa estava praticando o preço de R$ 225, mesmo valor da tarifa da TAM para Brasília. Para a região norte do Estado, o preço da passagem fica mais salgado: R$ 364 (Sinop) e R$ 374 (Alta Floresta). No Aeroporto Marechal Rondon, o sentimento de revolta é maior entre aqueles que precisam viajar periodicamente para suas regiões de origem ou mesmo a serviço das empresas. “Viajo seis vezes por mês para o Nortão e percebo que os preços estão elevados para a nossa região. Se a tarifa não melhorar, serei obrigado a fazer apenas uma viagem”, diz o empresário Amâncio Souza Batista. Paulo Fernandes Scolatti, com negócios em Sinop, também diz que será difícil manter a sua agenda de viagens em um ritmo de cinco deslocamentos mensais. “Com certeza terei que reprogramar, pois os preços das passagens estão caras para a nossa realidade”. A mesma opinião tem a veterinária Rosa Domingues, que faz duas viagens semanais para a região Norte. “Também acho que os preços das passagens, no regional, estão elevados. Precisamos de outras empresas para concorrer neste mercado e forçar a queda dos preços”. EMPRESAS - As companhias aérea, por sua vez, reclamam dos preços do querosene da aviação. Em Cuiabá, o litro do combustível está sendo comercializado por 2,35. No interior do Estado, o produto custa R$ 2,97. “Nossos custos operacionais são altos e pagamos caro pelo combustível. A diminuição da alíquota vai reduzir a dessimetria entre as regionais e as grandes empresas aéreas como a Tam e a Gol”, avalia o diretor de Marketing e Vendas da Trip Linhas Aéreas, Evaristo de Paula. No último dia 17, a Trip firmou protocolo com o governo do Estado para ter acesso ao benefício da redução da alíquota para o combustível aéreo. A companhia teve faturamento de R$ 300 milhões em 2008. A Cruiser Linhas Aéreas, no mercado regional desde 2002, foi a primeira companhia a assinar o protocolo com o governo e também não tomou a decisão de baixar os preços das passagens.

Edição EDIÇÃO 16967




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