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ECONOMIA
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008, 21h:37

ALGODÃO

Contratos futuros garantem plantio para próxima safra

Redução acima de 40% não será observada, porque o setor tem tradição em negociações

NAÍLA ALBUQUERQUE
Da Reportagem/Rondonópolis
A crise financeira mundial pegou os cotonicultores estaduais pelo caminho, justamente quando eles se preparavam para mais uma temporada, ou seja, adquiriam os insumos e buscavam recursos para custeio. A convulsão dificultou a liberação de crédito para o plantio e também a compra do algodão por importadores. Com recursos amarrados nas duas pontas, o primeiro impacto da crise de crédito está na redução da área plantada em cerca de 40%. Mato Grosso é o maior produtor nacional de algodão. O recuo da cultura no Estado atinge exponencialmente os grandes cotonicultores da região sul, porção que concentra cerca de 60% da produção mato-grossense. O abalo econômico já esperado pelo Instituto Mato-grossense de Algodão (IMA) – o recuo de 40% na área plantada - implicará em menos 300 mil toneladas a serem ofertadas na safra 2008/2009 em relação à temporada passada, que colheu 800 mil toneladas. A área plantada só não será menor porque alguns produtores firmaram no passado contratos futuros com bom preço, que garantirão lucratividade para a atividade e que os obriga, assim, a entregar a pluma em 2009. Segundo o diretor-executivo do IMA, Álvaro Salles, na safra passada (07/08) o Estado colheu 800 mil toneladas do produto e a estimativa é de que o ciclo atual (08/09) não atinja 500 mil toneladas da fibra, uma redução de quase 40% de uma temporada para a outra. Só não reduzirá mais porque o produtor tem que cumprir com os contratos feitos nas safras passadas, os denominados contratos futuros, quando o valor do algodão estava cotado em preços mais elevados e por isso foi um bom negócio para o produtor. Já aqueles que não têm esse incentivo de receber um bom preço pelo produto não se arriscarão a plantar. “Hoje o custo de plantio do algodão por hectare varia entre US$ 2,2 mil a US$ 2,8 mil, enquanto o faturamento está orçado em US$ 1,8 mil, causando prejuízo ao cotonicultor de até US$ 1 mil por hectare”. Com esse cenário negativo, só está plantando quem tem contrato futuro e negociou bom preço. “O preço caiu muito”. Salles explica que mesmo os contratos futuros para a próxima safra não estão valendo a pena, porque o mercado para o algodão está em baixa e a venda após o plantio não pagará nem o custo. No momento há uma dificuldade grande para liberação de crédito para plantio da safra e os mercados interno e externo estão ruins. “O algodão é uma cultura muito sensível ao mercado. Diante das crises, as pessoas cortam primeiramente a compra de roupas, usando as camisas, por exemplo, por mais tempo. Esse reflexo da crise, gerado pelo consumidor que segura o bolso, atingirá a lavoura de algodão”, argumenta. Embora a colheita da safra passada, que ocorreu entre agosto e setembro, quem comprou esse algodão também está tendo dificuldade de embarcar o produto, pois o comprador também necessita de carta de crédito muito difícil em se conseguir ultimamente. “A Ásia que é um dos principais compradores do Estado e está com dificuldade de levantar recurso para embarcar o algodão. Com isso e outros problemas que estão segurando as vendas, o produto está ficando estocado em armazéns e pressionando o mercado para baixo”. Salles explica que o panorama é de preços caindo assustadoramente. “Estamos com muito algodão no mercado porque a crise financeira não está possibilitando as negociações. Com o excesso de oferta, o preço cai”, frisa.

Edição EDIÇÃO 16966




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