ECONOMIA
Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012, 20h:15
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IMÓVEL
Consumidor paga mais caro para construir
Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), os materiais, equipamentos e serviços tiveram aumento médio de 0,35% ante 0,23% e a mão de obra 0,98% ante 0,47%
MARLI MOREIRA
Da Agência Brasil - São Paulo
Os consumidores das principais capitais brasileiras iniciaram o ano pagando mais caro para construir, segundo a pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice Nacional de Custo da Construção - Mercado (INCC-M), que mede as variações de mão de obra, serviços e materiais empregados no setor e é utilizado como um subcomponente do Índice Geral de Preços- Mercado (IGP-M), atingiu 0,67% em janeiro ante 0,35%, em dezembro. Nos últimos 12 meses, a taxa está em 7,90%. Os materiais, equipamentos e serviços tiveram aumento médio de 0,35% ante 0,23% e a mão de obra 0,98% ante 0,47%. O impacto maior foi provocado por reajustes salariais em Belo Horizonte com taxa média de 8,38%. Das sete capitais onde é feita a medição, apenas duas indicaram altas em índices inferiores aos registrados em dezembro: Brasília onde o INCC-M atingiu 0,01% ante 0,97% e Recife com taxa de 0,31% ante 2,77%. Nas demais capitais foram registradas as seguintes variações: Salvador 0,32% ante 0,02%; Belo Horizonte com 4,4% ante 0,09%; Rio de Janeiro com 0,29% ante 0,16%; Porto Alegre com 0,17% ante 0,08% e São Paulo com 0,19% ante 0,15%. FINANCIAMENTO Os financiamentos para a construção e a compra de imóveis, no ano passado, alcançaram o maior volume já registrado no país com R$ 79,9 bilhões. Foram emprestados R$ 23,7 bilhões a mais do que em 2010, o que representou um crescimento de 42%. O número de unidades financiadas chegou a 493 mil 17% acima do ano anterior. Os dados foram anunciados ontem pelo novo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octávio de Lazari. De acordo com o executivo, a previsão é manter o crédito imobiliário em alta neste ano de 2012, mas o ritmo de crescimento deverá ser um pouco mais lento com um aumento em torno de 30%. Na avaliação de Lazari, mesmo prevendo uma taxa menor, esse avanço esperado será muito expressivo, devendo alcançar R$ 103,9 bilhões. A nossa preocupação não é a de apresentar um crescimento elevado, e sim contínuo, de forma sustentável, observou. Lazari acrescentou que existem sinalizações para um aumento da participação do crédito imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB), do atual 4,7% para 10%, nos próximos anos, tomando por base o bom desempenho da economia interna. Mas para isso, ele destacou, serão necessárias novas alternativas de captação de recursos, além da poupança. Ele informou que as negociações com as autoridades monetárias nesse sentido estão caminhando bem e que ainda neste ano poderão estar definidas. Entre as sugestões está o lançamento de novas opções de investimentos no mercado financeiro a exemplo do Covered Bonds, título já adotado na Europa. No ano passado, a captação líquida da poupança atingiu R$ 9,4 bilhões e o saldo das cadernetas de poupança no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) aumentou 10% sobre 2010 totalizando R$ 330,6 bilhões.