ECONOMIA
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012, 21h:41
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EXPORTAÇÕES
Complexo soja respondeu por 73,8% da receita trimestral
Demanda forte durante a entressafra e leve ganho cambial fizeram diferença
MARIANNA PERES
Da Editoria
As exportações mato-grossenses acumuladas até março deste ano somam receita de US$ 2,83 bilhões, 42% de alta em relação aos US$ 1,99 bilhão do mesmo período de 2011. Desde total, 73,8%, ou US$ 2,09 bilhões foram gerados pelo complexo soja, que na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, US$ 1,14 bilhão, revelam um salto de 84%. Reflexo do forte aumento dos embarques físicos principalmente de soja-grão e óleo de soja de 109% e 112% respectivamente, mesmo com a queda de preços de 5,7% e 5,5% nas cotações internacionais desses produtos, aponta o economista e sócio-proprietário da PR Consultoria, Carlos Vitor Timo Ribeiro. Ainda como observa, tais resultados foram nitidamente influenciados pela demanda internacional e por contingências de mercado (estoques de passagem em baixa, entressafra etc.) e ainda mais pelo câmbio, mesmo defasado mais ainda assim atrativo, pelo ganho cambial de 8,26% na comparação entre os períodos. Outro destaque da análise do economista são os embarques de aves que completaram neste trimestre um ano na liderança do complexo carnes, quando ultrapassou em volume físico os cortes bovinos no início de 2010. A carne de frango mesmo com o pequeno aumento físico de 9% atingiu 52,38 mil toneladas, volume maior do que os embarques de carne bovina de 39,20 mil toneladas. A movimentação mantém a tendência iniciada no primeiro trimestre do ano passado, o que também é muito expressivo. O faturamento cresceu expressivos 25% aproximadamente, dado o aumento de 14% no preço. No período, a receita com os embarques passou de US$ 86,93 milhões para US$ 108,39 milhões. O crescimento acelerado dos embarques estaduais de carne de frango mostra a avicultura se consolidando como uma nova e dinâmica cadeia produtiva estadual, oportunizando a agregação de valor via conversão de proteína vegetal em proteína animal, o que gera maior receita. MAIS PRODUTOS - O milho com embarques físicos de 657,77 mil toneladas não repetiu o desempenho do mesmo período do ano passado e registrou queda substancial de 64% em volume e de 62% em valor, mesmo com aumento de 7,1% no preço internacional. A fibra mato-grossense fez o caminho inverso do cereal. Os embarques físicos de algodão dispararam 417% com aumento maior ainda de 480% em valor, dado o aumento de 12% na cotação internacional da fibra. Esses resultados devem ser superados ao longo do ano, principalmente no caso do milho, dado o aumento vigoroso do plantio, em Mato Grosso, por conta da excelente remuneração da cultura, reverberando o comportamento dos preços internacionais, destaca Timo Ribeiro. As exportações do complexo carne registraram pequeno aumento de 5%, com faturamento de US$ 302,09 milhões. A carne bovina registrou retração de 5% em volume e de 1,7% em valor, mesmo com o aumento de 3,5% na cotação internacional. A carne suína com redução de 37% nos embarques acumulou queda de 51,6% em valor, dado a queda de 23,3% no preço internacional do produto. A venda externa de couro bovino também caiu 14% em volume e em valor. Embora ainda sinta fortemente o embargo russo, o desempenho registrado pelo segmento frigorífico, pelo que representa para a agregação de valor e geração de emprego e renda, é um feito da mais alta relevância, consolidando Mato Grosso como um player mundial na produção de alimentos. CONSUMIDORES - A Ásia e a União Europeia foram nossos maiores destinos, respondendo por 53% e 26% do total, respectivamente, seguidos do Oriente Médio que respondeu por 4%. A China isoladamente continua sendo nosso maior cliente comprando 35% de nossas vendas externas nesse primeiro trimestre do ano, seguida da Holanda com 9% e da Espanha com 8%, respectivamente. IMPORTAÇÕES - As importações mato-grossenses cresceram apenas 18%, o que explica bem o nosso espetacular superávit no período, destaca Timo Ribeiro. Conforme balanço deste primeiro trimestre, as compras realizadas por Mato Grosso somaram US$ 323,09 milhões ante US$ 273,23 milhões do acumulado de janeiro a março do ano passado. Os principais fornecedores externos continuam sendo, pela ordem, a Rússia, Belarus e os Estados Unidos com 15%, 14% e 11% respectivamente. Matérias-primas para os insumos do campo, como cloreto de potássio seguem como principais itens das importações. Mato Grosso fechou o primeiro trimestre como o quarto maior superávit do Brasil (mais vendeu do que comprou). O saldo comercial, diferença entre a receita das exportações menos as importações, acumula US$ 2,51 bilhões US$ 2,83 bilhões menos US$ 323,09, no mesmo período - superado apenas por Minas Gerais com US$ 4,97 bilhões, Rio de Janeiro, US$ 3,56 bilhões, e o Pará, US$ 2,81 bilhões.