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ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011, 19h:07

CONSUMIDOR

Como evitar mais gastos

A população inicia 2011 com muitas contas a pagar. São cartões de crédito, boletos bancários, carnês, cheques...

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O ano começa com muitas oportunidades de gastos para o consumidor. Impostos, matrículas, combustíveis, mensalidades escolares... Além destas despesas, a população inicia 2011 também com muitas contas a pagar, oriundas de compras de final de ano. São cartões de crédito, boletos bancários, carnês e pré-datados vencendo. Com tantos compromissos e diante deste cenário econômico que pode provocar oscilações da inadimplência do consumidor, os especialistas em finanças dão algumas dicas ao consumidor sobre como iniciar o ano “com os pés no chão” e evitando novos endividamentos. Antonio de Julio, especialista em finanças, afirma que é preciso ter cautela, principalmente nos quatro primeiros meses deste ano. Para ele, neste momento, o mais indicado é controlar os gastos, poupar o que for possível, pois, logo neste início de 2011 os cuiabanos tiveram aumentos “oficiais” como o do IPTU, além de despesas com a volta às aulas (matrículas e materiais escolares) e IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores). Mas os piores aumentos podem ser os “não-oficiais”, que não seguem um índice específico ou são baseados em diferentes variáveis, como combustíveis, educação (mensalidades), habitação e alimentação. O custo de vida em Cuiabá encerrou 2010 com a quarta cesta básica de alimentos mais cara do país (R$ 250,61), segundo levantamento divulgado pela KGM Pesquisa. No ano, a alta acumulada nos preços chega a 13,22%, com o valor da cesta básica em Cuiabá representou em dezembro 49,13% do salário mínimo do trabalhador. “Com todos esses aumentos, ocorre a perda do poder de compra do dinheiro de cada cidadão, e isso é um processo inflacionário”, alerta o especialista. Segundo Antonio de Julio, este ano poderá ser um pouco mais difícil nos primeiros quatro meses, pois agora a população poderá sentir os excessos de 2010 devido à oferta de crédito e para que as famílias brasileiras não sofram com isso é preciso frear gastos desnecessários nos próximos quatro meses. “Quem contraiu grandes dívidas vai ter que se preparar mais ainda contra esses aumentos que estão vindo. O governo vem acenando com apertos no crédito e como exemplo podemos citar as novas regras para a compra de automóveis zero para frear um pouco uma inflação por demanda. Também tivemos o primeiro aumento na taxa Selic para dificultar um pouco a oferta de crédito e conter a alta do consumo e consequentemente de aumento para empréstimos”, explica. A taxa média de juros para as famílias subiu para 40,6% ao ano, impulsionada pelas taxas de crédito e pela compra de automóveis. Mas existem taxas como as do cheque especial, que chegam a 170% ao ano. DICAS O especialista dá algumas dicas para os quatro primeiros meses do ano. “É preciso apertar “um pouco mais” o cinto, pois são muitos os gastos no início do ano, e às vezes nos esquecemos de um ou de outro, e isso pode complicar ainda mais as finanças pessoais”. Segundo ele, o Brasil “castiga” demais quem se descontrola nas finanças, com as altas taxas de crédito. “O endividamento saudável, aquele que nosso bolso permite, tem que estar presente em todos na família. Um pequeno descuido pode começar um grande tsunami financeiro”. O especialista recomenda: “Converse, converse, converse e converse mais um pouco sobre finanças com sua família. Faça uma reunião orçamentária mensal. Não precisa ser algo do tipo CPI, mas comece com uma pequena conversa informal. Coloque o assunto dinheiro na casa assim como os assuntos “futebol” e “vida alheia” fazem parte do dia-a-dia”. Outra dica, segundo Antônio De Júlio, é guardar comprovantes, anúncios de corte de energia, água e serviços. “Lembre-se de como foi difícil sair de uma dívida pesada anteriormente. Faça uma visita a esses lembretes periodicamente. Nossa mente é programada para nos fazer esquecer com mais facilidade momentos difíceis”, salienta.

Edição EDIÇÃO 16963




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