ECONOMIA
Sábado, 14 de Março de 2009, 13h:18
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SEGURANÇA
Comércio na defensiva
Os gastos com segurança eletrônica no comércio em geral cresceram muito, mas ainda são insuficientes para combate à violência
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Pelo menos há 10 anos um novo componente passou a fazer parte da planilha de custos dos empresários e comerciantes da Grande Cuiabá: a segurança. A estimativa do Sindicato Intermunicipal de Tecidos, Confecções e Armarinhos (Sincotec) é de que o custo operacional com investimento em sistema de monitoramento eletrônico e contração de vigilantes particulares para as pequenas e médias empresas gire em torno de 5% e, para as grandes, em 2%. As grandes empresas têm um faturamento maior e conseguem diluir o valor, explicou o presidente do Sincotec, Roberto Peron. Além da vigilância eletrônica e guardas, outros aparatos usados para conter a ação de bandidos são as cercas eletrificadas, grades nas portas e janelas e alarmes de última geração, controlados por sensores de movimento. Mas, não tem sido suficiente. Conforme Peron, calcula-se que a perda com produtos furtados ou roubados no interior dos grandes estabelecimentos fique entre 3% a 5%, percentual maior no caso das pequenas e médias empresas. Ultrapassa os cinco por cento porque o poder de investimento dos pequenos estabelecimentos em segurança é menor, disse. Associado à inadimplência e aos juros altos, Peron lembra que este custo a mais é repassado aos clientes. Quem acaba pagando na realidade é o consumidor, frisou. Segundo ele, atualmente, aproximadamente 60% das lojas, especialmente, as localizadas no Centro Histórico, pagam seguranças particulares para vigiar os seus estabelecimentos. Normalmente, o preço é rateado e fica em média R$ 140,00 para cada comerciante ou empresário ao mês. Se você pegar 10 estabelecimentos, o investimento é de R$ 1.400, observou o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, José Alberto Vieira de Aguiar. Hoje, o investimento em vigilância interna representa um custo grande para as empresas, que ao invés de direcionarem o dinheiro para o capital de giro o destinam para a segurança, acrescentou. Recentemente, lembra Aguiar, foram registrados dois assaltos contra o projeto Faixa Verde. O roubo foi filmado, mas para melhorar a captação de imagens do sistema de vigilância eletrônica foi necessário investir mais R$ 7 mil. O mesmo vem sendo feito por Peron em seu estabelecimento comercial, monitorado eletronicamente há 10 anos. Só para troca das sete câmeras o investimento atinge a cifra de R$ 2.800,00. Uma das maiores preocupações dos empresários e comerciantes é com as madrugadas e finais de semana, quando as ruas ficam praticamente desertas. Peron e Aguiar são unânimes em dizer que o atual número de câmeras de vigilância instaladas nas ruas centrais da capital não é suficiente devido aos índices de ocorrências criminosas na Grande Cuiabá. Por isso, eles entendem ser importante que o Governo priorize a colocação das 51 câmeras prometidas para a capital e Várzea Grande. Além de contribuir para diminuir o custo operacional das empresas com segurança, Peron lembra que a instalação de equipamentos eletrônicos por parte do poder público inibe a ação dos bandidos. Dá uma maior sensação de segurança e traz benefícios para toda a sociedade, ressaltou.