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ECONOMIA
Quinta-feira, 17 de Março de 2011, 20h:39

Com mais uma alta em menos de 15 dias, competitividade desaparece

MARIANNA PERES
Da Editoria
O etanol, que na teoria se mantém competitivo em relação à gasolina, mas que prática não oferece lucro ao motorista que optar por ele, estará a partir da próxima semana, definitivamente, na lembrança do cuiabano. Um novo aumento sobre o preço de bomba está confirmado pelo Sindicato dos Revendedores de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipetroleo), que projeta valores de até R$ 2,20 ao consumidor. Conforme a entidade, ontem o etanol entregue para alguns postos veio com reajuste de cerca de 8% autorizado pela Petrobras, mas os revendedores irão absorver por cerca quatro dias o repasse. Com a nova alta que será aplicada apenas sobre o etanol, o derivado da cana-de-açúcar alcançará 73% do valor de bomba da gasolina. Por ser um combustível de maior queima, a vantagem do etanol se dá até o limite de 70%. Acima disso, a melhor opção é a gasolina, que tem uma melhor performance de rendimento, o que acaba compensando o valor pago a mais. Com preço atual, R$ 1,97 para o litro do etanol e de R$ 2,97 à gasolina, a relação é de cerca de 67%, o que para muitas pessoas já deixa de ser competitiva pela diferença considera mínima. O secretário-executivo do Sindipetróleo, Bruno Borges, que é revendedor, em Cuiabá, disse que ontem o carregamento de etanol chegou mais caro, ao invés de R$ 1,7161 por litro pagou R$ 1,8346. “Neste momento, se eu repassar a alta de R$ 0,12 para bomba o litro atingirá cerca de R$ 2,20. Quem vai abastecer no meu posto se o vizinho ainda não recebeu a alta e está com preço em R$ 2,07?”. Borges opera com a bandeira Petrobras. O dirigente destaca que a alta está sendo aplicada pelas distribuidoras, que dizem estar pagando mais pelo litro do produto nas usinas, como confirmou um distribuir por telefone, sem fornecer detalhes. É um efeito-cascata, “que infelizmente desemboca aqui na bomba e a gente acaba sendo visto como culpado”, completa. ALERTA - Para Bruno, o segmento se preocupa com os efeitos das sucessivas alta do etanol. Com a perda de competitividade do derivado da cana-de-açúcar para o do petróleo, os postos revendedores não contabilizam apenas a redução no consumo do etanol, mas uma redução de consumo geral. “A migração dos consumidores do etanol para a gasolina ocorre a olhos vistos, principalmente após a alta da semana do Carnaval. Porém, ao abastecer R$ 50 de hidratado o consumo é um. Os mesmos R$ 50 para gasolina rendem um volume menor de litros, já que ela é mais cara. A migração para gasolina não compensa o volume que está deixando de ser vendido de álcool, mesmo porque ao ficar sem opção de escolha o próprio consumidor começa a reduzir – quando possível – o seu gasto semanal com combustível”, explica Bruno. Ele completa dizendo que a receita dos revendedores começa a cair com a nova reordenação do mercado, mas que as despesas seguem as mesmas. “A rotatividade das vendas com o etanol é maior em relação à gasolina e com as liminares da Justiça local que limitam a margem de lucro do hidratado em até 20%, temos de vender muito etanol para obter receita”. Desde 2006 o Ministério Público Estadual monitora o segmento na tentativa de evitar abusos ao consumidor. MARÇO - Nos primeiros 15 dias deste mês, esta será a segunda alta sobre o preço do etanol. Os repasses, juntos, terão encarecido o litro em aproximadamente R$ 0,23, considerando média de R$ 0,11 na semana do Carnaval e os R$ 0,12 anunciados. A proposta nacional do segmento revendedor – já apresentada à União – é de que haja a redução no percentual de 25% para 20% do etanol anidro adicionado à gasolina, como forma de aliviar a pressão sobre o combustível e, assim, ampliar a sua oferta durante a entressafra.

Edição EDIÇÃO 16962




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