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ECONOMIA
Sexta-feira, 09 de Julho de 2010, 21h:33

SALÁRIO

Com eleições, mínimo fica sem regra de reajuste

EDNA SIMÃO
Da Agência Estado – Brasília
Em ano eleitoral, o governo federal vai negociar diretamente com as centrais sindicais o reajuste do salário mínimo do próximo ano. Isso abre a possibilidade de os sindicatos conseguirem elevar o mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 570. Nas últimas negociações, mesmo fora do ano eleitoral, o governo sempre tem cedido aos interesses dos sindicatos - foi assim na legalização das centrais, na permissão para que elas recebam parte do imposto sindical e, mais recentemente, no aumento de 6,14% para 7,72% o reajuste dos aposentados que recebem benefícios acima do piso mínimo da Previdência. Para garantir a aprovação do texto base, o senador petista Tião Viana (AC) se viu obrigado a ceder às pressões dos parlamentares, que representam as centrais sindicais e da oposição, e retirou de seu relatório sobre Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) a proposta que corrigia o salário mínimo de 2011 com base na média de crescimento econômico de 2008 e 2009, mais inflação (INPC). O texto base do orçamento de 2011 foi aprovado hoje pela Comissão Mista de Orçamento. FÓRMULA Parlamentares exigiram a retirada da fórmula de cálculo de Tião Viana - que previa ganho real de 2,47% e, portanto, elevava o mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 550 - porque acreditam que podem conseguir ainda mais pelo governo em um ano de eleição. As centrais sindicais já deixaram claro que vão se juntar e pressionar para que o salário mínimo seja corrigido com base no crescimento de 2010, chegando a R$ 570. O governo que era contrário a proposta de Tião Viana agora terá que negociar diretamente com as centrais e correr o risco de ter que liberar um aumento ainda mais salgado. Esse ano o salário mínimo foi corrigido com base no crescimento de 2008. A ideia da equipe econômica era que essa regra valha também para o cálculo do mínimo do próximo ano, ou seja, o mínimo seria corrigido com base no PIB de 2009 que foi negativo (-0,2%). Para dar continuidade a política de valorização do mínimo, Viana fez uma proposta alternativa - aumento seria calculado pela média de crescimento de dois anos.

Edição EDIÇÃO 16967




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